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terça-feira, 2 de junho de 2015

4 Erick: Amizade é mais do que sorrisos!




A cena do incidente na qual a mãe foi morta finalmente deixou de me atormentar, como todos os outros casos terríveis que presencio as cenas simplesmente se tornaram comuns, esse seria mais uma situação na qual vou levar para sempre gravada na memória!
Quanto os vizinhos continua a mesma coisa divertida de sempre, o velhinho pedindo para que eu concerte a mobília antiga, a Stella estressada como um leão que está pronto pra descontar na primeira vitima que aparecer! E o resto apenas me ignorando! Esse prédio é fantástico!
—Gatinho, lamento te informar, mas se não correr vai se atrasar! –Érica se despede com um abraço.
—Te amo Loira! –Fiz carinho em sua face delicada. Depois me despedi da Elly. Esse foi o nome que escolhemos pra bebê que vai nascer daqui seis meses!    
 Desci a escadaria apressado ao perceber que estou quinze minutos atrasado, meu chefe dessa vez me despede! Eu sei que o elevado é mais rápido, porém não estou a fim de ouvir a Stella com o mesmo papo de ética e moral! Falando muito sério, estou praticamente desabafando aqui, aquela mulher cansa qualquer um!

Chegando ao estacionamento observei que  minha camionete era o único veiculo  que estava quase criando vida e correndo sozinha para um lava-jato. Eu não tenho culpa se a preguiça me impede de lavá-la.
A caminho do quartel o alarme de incêndio toca. O som dá aquela descrença na minha pessoa. Liguei o transmissor e localizei o local do incidente. Na tela pedia que todas as unidades fossem para lá. Coloquei o mais rápido possível a sirene no teto. Essa é a melhor parte, todos os veículos abrem passagem. Certa vez a liguei para chegar mais de pressa no shopping, funcionou só que meu superior descobriu, resultado uma multa de 700 reais. Só posso dizer que nunca mais fiz tal coisa.
O local do incêndio era ao lado do poço fundo. Quem pensa que o nome é só porque tem muitas cisternas, está enganado. Esta área era considerada rica em minério, sendo ai organizado varias escavações, não sei se encontraram algo, mas os buracos estão ai. Se você cair é morte instantânea!
—Erick, chegou bem na hora! –Otávio falou me cumprimentando.
—Você trouxe mascara de oxigênio sobrando? As minhas acabaram.
—Tem no porta-luvas do caminhão!
Depois de me vestir adequado me apresentei na fila de minha unidade, o corpo de bombeiro de Brasília era um dos mais numerosos. O meu capitão tem na faixa etária de 48 anos, não digo que é fácil de suportar, mas não existe outro melhor que ele nas redondezas.
—Existem no mínimo 500 pessoas presas nestes 15 galpões, o dever de vocês é as salvarem! –ele gritou com uma voz firme para os seus liderados.
—Sim senhor! –bradamos em um coro.
Eu e Otávio corremos para o quinto galpão. Conferimos se as mascaras funcionavam. As portas estavam emperradas. Elas eram antigas e gigantescas. Para abrirmos utilizamos uma marreta, o que não abre nós quebramos!  O plano funcionou. Logo ela desabou juntamente com os portais e o resto de madeira podre.
A fumaça forte nos impedia de ver no quê pisávamos. Andei apressado, a procura de algum corpo! Liguei  a lanterna do capacete, possibilitando um pequeno feixe de luz.
O fogo dava uma pequena trégua, provavelmente as outras unidades desempenhavam o papel de apagá-lo.
_Erick, encontrei um pessoal aqui! –Meu amigo avisou.
_Calma que já estou indo.
O teto começou a desabar. Eu deitei-me em cima de um pessoal para impedir que caísse neles, pedaços de madeira.
Depois peguei quatro adolescentes e os levei para fora. Chegando lá notei que Otávio tinha pegado seis! Mas pelo tanto que tinha esparramado era menos da metade.
— Larga de moleza, Erick! Só conseguiu salvar estes! Seu molenga! –Zoou de mim.
—Vai se ferra! Idiota!
Depois de pararmos a discussão pedimos reforço! Enquanto isso, lá fora a equipe de paramédico davam seu melhor, havia vitimas de queimaduras, outros com falta de ar, cortes e muito mais!
 Dessa vez corri para o outro lado. Pude notar alguém pedindo por socorro!
Era uma mulher com mais sete idosos.
—Vocês conseguem ir andando? –perguntei.
Eles balançaram a cabeça em um sinal positivo. Para evitar mais queimaduras entreguei uma capa a eles. A mulher não teve resistência desmaiando. Eu a envolvi em meus braços. Outros idosos se apoiaram em meus ombros. Já na saída ela retornou a consciência.
—Meu herói! – sussurrou em meus ouvidos.
—Que isso! Esse é apenas o meu trabalho senhorita! –Ela me ignorou, em seguida me deu um selinho e foi para a fila pra ser socorrida.
Eu senti orgulho ao saber que todos foram salvos, então ouvi novamente um pedido de socorro. Desta vez foi diferente, não era alguém desconhecido. Sabendo eu que minha roupa não teria resistência para enfrentar as chamas pela terceira vez corri em direção à voz. Eu poderia morrer, mas meu amigo não ficaria ali...
Otávio? Onde está você? –perguntei desesperado.
—Olha para baixo seu babaca... –ouvi
Ele realmente estava do meu lado no centro do galpão, uma coluna de ferro com concreto havia caído em cima de sua barriga o impedindo de sair! Eu me ajoelhei para tentar a levantar!
—Você não pode fazer isso sozinho, é muito pesado!
—Não há tempo! Logo vai desabar!
—Então se salva!
—Sem você nunca!
Eu insisto na tentativa de levantar sozinho. Minha costa estava queimando, a roupa já derreteu.
—Otavio Da pra me ajudar a levantar!
—Lamento te informar, mas e impossível!
Senti algo escorrendo no meu corpo, passei a mão na parte de trás.
—Erick o que é isso? _meu amigo fala ao perceber o que havia saído algo em minha mão!
—É apenas sangue!
—Sai logo daqui enquanto a tempo!
—Nunca se abandona um amigo!
Então o galpão cinco desabou!
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40 minutos depois
—Você é um idiota Erick! –O Otávio me falou.
—E você é um ingrato. –resmunguei.
—Calem garotos! Vocês dois nos passaram um susto! –O chefe Jorge.
Ainda bem que a capa do Otávio ainda esta com ele! –A medica que cuidava de nossas queimaduras falou.
Depois de todos os feridos e mortos serem levados para o hospital nós nos assentamos em circulo para ouvirmos os lideres de equipe, foi decidido que posaremos aqui para obtermos resistência, mesmo cansados e feridos.
Havia uma ruiva em outra equipe muito engraçada, ela fazia malabarismo com uma mão enquanto dançava samba. Alguns a condenavam dizendo que era doida, mas eu a entendo é uma forma de se divertir em meio a tanta destruição.

Então me levantei e ajuntei-me a ela dançando Street dance, o pessoal começou a se unir a nós fazendo graça. Um dos capitães, pois o carro dele mais perto e tocou um som bem divertido. E assim nos divertimos até escurecer.

4 comentários:

  1. Nosssa ameiiii adoro essas história ����������❤

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    1. Aiiiii que bom que gosta... Fiquei muito contente com seu comentário...

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  2. Uma amizade que nem o fogo separa!!!!

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    1. Tudo que é forjado no fogo atravessa brasa sem nenhum estrago...

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