Eu estou agoniada, está prestes a ocorrer um novo naufrágio igual o
Titanic, ou o acidente das torres gemia, eu não estou brincando, meu coração
que pular pela minha boca...
—Stella, o quê foi? Você pode estar com alguma virose... _O Bruno sugere enquanto caminhávamos pelos
corredores da universidade.
—Eu estou cismada, é só isso! _Falei pensativa.
—Me diga o por quê? _Ele pediu fazendo biquinho.
—Prometa que não vai sorrir...
Ele assentiu com a cabeça, mas não botei muita fé...
—Eu acho que meu vizinho está em um apuro! _Desabafei.
—Isso tudo é por causa do seu vizinho! E ainda fala que o odeia! _Ele
diz irônico.
—Eu não o odeio, só não damos muito certo, mas enfim, ele não pegou o
elevador essa manhã!
—E você está suando frio porque não se encontraram hoje!
Eu me calei, traduzindo esse pressentimento em palavras parece idiota,
mas eu e ele temos uma ligação e sempre nos encontramos na parte da manhã para
discutir! O Bruno não entendeu nada, é lógico que não o posso culpar. Ninguém
em sã consciência vai entender o que se passa no meu coração!
—Você falou com a Laura esse final de semana?
—Não, e nem vou falar... Ele é uma idiota! Acredita...
—Me poupe da triste historia de vitima assediada, eu já ouvi a versão
da Laura e saquei tudo!
—Espero que tenha sacado certo! _Falei chateada por ele não me deixar
concluir.
—Eu sei que a Laura agiu como uma insana!
—Ótimo... _Confirmei me sentando na carteira.
O professor adentrou como todos os dias, carregando uma mala cheia de
papeis um suco de pêssego na mão e uma cara de quem cheirou bosta!
—Senhorita Ferreira, pode nos dizer qual é a função básica do sistema
cardiovascular? _O professor perguntou se virando a mim.
—É levar material nutritivo e oxigênio às células. _Respondi com
convicção.
—Ótima resposta!
Alguns universitários reviraram os olhos com raiva ou inveja. Vai saber o que passa na alma de cada um...
—Aposto que você está nas nuvens com esse elogio não é mesmo senhorita
Ferreira... _O Bruno tirou sarro da circunstancia!
—Você é um inútil mesmo...
O professor começou a falar sobre o tal sistema enquanto cada aluno
anotava o que bem queria...
Depois dessa longa aula de uma hora e meia o Bruno foi conversar com a
Laura enquanto me direcionei a biblioteca...
Eu não me importava de estar sozinha desde que tivesse um bom livro por
perto... Procurei na sessão de mistério
e acabei encontrando Sherlock Homes, eu amor ler os livros dele, mas esse lance
de mistério só me fez preocupar mais com o Erick. Será que pega mal eu ligar
para ele?
Sem pensar duas vezes para não me arrepender disquei o numero,
infelizmente chamou até cair! Eu deveria esquecer, mas algo me dizia que havia
ocorrido um problema... Eu só não sei qual.
Eu olhei no relógio e decidir aproveitar minhas duas horas de almoço
pra ir atrás de informações sobre seu paradeiro... Eu devo estar maluca! Com certeza eu enrolaria
muito para ir o procurar em seu apartamento, porém aqui é só sete minutos do
quartel...
Coloquei o capacete e fechei a viseira, em segundos eu estava a toda
velocidade na pista de oitenta Km por horas...
O trânsito é rápido aqui, me
fazendo perceber a diferença entre Brasília e Goiânia...
Assim que parei na portaria um medo percorreu minha veia, e se ele
estivesse ali, como eu deveria reagir, eu estou perdida, é melhor eu voltar
para trás e fingir que nada aconteceu, mas se ele não estiver bem?
—Oi Stella... _Uma voz amigável falou.
—Oi Otávio, tudo bem? _Perguntei, eu realmente estava feliz em velo
trabalhando, mas agora eu não poderia desistir.
—Tudo, o que faz aqui no quartel? _Ele parecia interessado.
Pude sentir meu rosto corar de vergonha, eu não deveria estar ali...
—O Erick veio trabalhar? –Eu perguntei sem jeito.
—Na verdade ele faltou serviço...
—Sabe o porquê?
—Não tenho a menor idéia...
Eu realmente fiquei preocupada.
Eu peguei o capacete para ir embora continuar a busca quando aquele
homem forte de um sorriso encantador direcionou a palavra a mim.
—Já almoçou? Eu estou indo
agora, o que acha de me faze companhia? _Ele colocou as mãos no bolso.
—Eu tenho algo importante a fazer...
—Não seja careta, vai ser legal!
—Só se for rápido. _Deixei-me levar.
—E vai...
Então atravessamos a rua, havia um restaurante bem aconchegante na
esquina...
—Você é uma companhia adorável. _Ele afirmou.
—Você ainda não tem a mínima noção de como sou! _O contrapões...
—É sem noção. Tenho absoluta certeza, pois pra se apaixonar pelo Erick
no mínimo tem que estar com algum defeito de fabrica...
—Como assim? _Falei sorrindo
—Tipo, uns parafusos a menos no cérebro! _Ele deu uma gargalhada.
—Desculpa lhe decepcionar. Eu sei que sou adorável, mas eu e seu
amiguinho não temos nada alem de certa amizade de cão e gato...
—Não foi o que notei ao lhe ver ao lado dele no velório. _Ele pausou
pensativo, eu entendi na hora que foi por causa da tragédia.
—Eu só estava sendo solidaria, mas na maioria das vezes vivemos em pé
de guerra!
—Então porque está a procurar ele? _Otávio me questionou.
—Ele não pegou o elevador, não ligou o radio e não levou a vadia dessa
noite até a recepção...
—Vadia?
—É uma morena de cabelo ondulado ela é... _Eu pausei ao ver a moça
adentrar no restaurante com uma blusa do CBM, então ela trabalhava com ele.
—Ele é?
—Aquela mulher ali! _Mostrei apontando o dedo, digamos que nunca fui
muito boa com relação a ser discreta.
O Otávio engasgou com a água que tomava.
—Você tem certeza que o viu com a Barbara?
Confirmei com a cabeça sem entender a surpresa.
—Stella, vai imediatamente até o apartamento dele! Eu vou falar com
ela... Qualquer noticia me ligue.
—Certo, farei isso agora mesmo...
Corri em direção a minha moto e acelerei o Máximo que pude de acordo
com as normas de trânsito! Eu estava com um péssimo pressentimento e quando o
Otávio ficou sabendo do rolo com aquela vadia ele pareceu atordoado, isso
acabou me deixando mais nervosa e assustada...
Assim que cheguei ao prédio onde moramos eu corri até o elevador e
selecionei o nono andar o mais de pressa possível...
Assim que abria a porta do apartamento do Erick que estava destrancada
fui despedaçada, foi como levar uma facada no peito, eu não pude acreditar na
imagem que meus olhos enxergavam! Tinha que ser só uma ilusão...
—Erick? O quê aconteceu... _ Perguntei correndo até ele...
—Eu... Eu... Não... Minha cabeça! _Ele parecia confuso.
Ele não me parecia bem, seus olhos estavam inchados e ao seu redor
havia muitas garrafas de águas vazias... Nunca o vi tão detonado...
—Ei, o que houve com você? _Perguntei calma.
—Eu juro que não sei o que houve! Eu não me lembro de nada...
Meu garoto! Quer dizer o Erick! Bem, ele estava tenso e triste, pude
notar seus olhos brilharem.
—Pode confiar em mim... Eu preciso saber tudo que ocorreu desde ontem à
noite! Eu tenho uma teoria e talvez ela possa se confirmar!
—Ta bom, eu te conto tudo miss estresse! _Ele falou firmando a visão
para que pudesse me ver... —Eu salvei a Barbara de um possível extrupo, mas a
garota não quis ir para casa então a trouxe aqui até ela se sentir melhor...
—Foi um erro... _Afirmei
—Eu sei que foi... Depois fomos conversar... E bem as coisas ficaram
confusas, minha vontade era uma mais as minhas ações eram outras...
—Vocês acabaram transando, só que você não se lembra? _Perguntei
seria... Ele foi muito ingênuo!
—É... Eu sei o que você desconfia e sim foi mesmo... Ela me drogou...
Então ele sabia disso e não fez nada...
—Assim que acordei em plena 11 hora da manhã, a primeira coisa que fiz
foi me avaliar e fazer uma varredura pela casa...
—Então como você ingeriu a droga?
—Ela preparou um suco de laranja...
—Nossa! Foi tão esperado!
—Eu sei, e não me diga que sou um idiota!
—Já que não quer ouvir a verdade eu me calo!
Depois das revelações eu o coloquei um avental e iniciei uma faxina no
apartamento enquanto ele banhava na água gelada... Mesmo odiando dar faxina me
pareceu o certo a se fazer, ele é meu amigo...
E perder só mais três aulas essa semana não é o fim do mundo!
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