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sexta-feira, 26 de junho de 2015

9 Stella: Você está bem?







Eu estou agoniada, está prestes a ocorrer um novo naufrágio igual o Titanic, ou o acidente das torres gemia, eu não estou brincando, meu coração que pular pela minha boca...
—Stella, o quê foi? Você pode estar com alguma virose...  _O Bruno sugere enquanto caminhávamos pelos corredores da universidade.
—Eu estou cismada, é só isso! _Falei pensativa.
—Me diga o por quê? _Ele pediu fazendo biquinho.  
—Prometa que não vai sorrir...
Ele assentiu com a cabeça, mas não botei muita fé...
—Eu acho que meu vizinho está em um apuro! _Desabafei.
—Isso tudo é por causa do seu vizinho! E ainda fala que o odeia! _Ele diz irônico.
—Eu não o odeio, só não damos muito certo, mas enfim, ele não pegou o elevador essa manhã!
—E você está suando frio porque não se encontraram hoje!
Eu me calei, traduzindo esse pressentimento em palavras parece idiota, mas eu e ele temos uma ligação e sempre nos encontramos na parte da manhã para discutir! O Bruno não entendeu nada, é lógico que não o posso culpar. Ninguém em sã consciência vai entender o que se passa no meu coração!   
—Você falou com a Laura esse final de semana?
—Não, e nem vou falar... Ele é uma idiota! Acredita...
—Me poupe da triste historia de vitima assediada, eu já ouvi a versão da Laura e saquei tudo!
—Espero que tenha sacado certo! _Falei chateada por ele não me deixar concluir.
—Eu sei que a Laura agiu como uma insana!
—Ótimo... _Confirmei me sentando na carteira.
O professor adentrou como todos os dias, carregando uma mala cheia de papeis um suco de pêssego na mão e uma cara de quem cheirou bosta! 
—Senhorita Ferreira, pode nos dizer qual é a função básica do sistema cardiovascular? _O professor perguntou se virando a mim.
—É levar material nutritivo e oxigênio às células. _Respondi com convicção.
—Ótima resposta!
Alguns universitários reviraram os olhos com raiva ou inveja.  Vai saber o que passa na alma de cada um...
—Aposto que você está nas nuvens com esse elogio não é mesmo senhorita Ferreira... _O Bruno tirou sarro da circunstancia!
—Você é um inútil mesmo...
O professor começou a falar sobre o tal sistema enquanto cada aluno anotava o que bem queria...
Depois dessa longa aula de uma hora e meia o Bruno foi conversar com a Laura enquanto me direcionei a biblioteca...
Eu não me importava de estar sozinha desde que tivesse um bom livro por perto...  Procurei na sessão de mistério e acabei encontrando Sherlock Homes, eu amor ler os livros dele, mas esse lance de mistério só me fez preocupar mais com o Erick. Será que pega mal eu ligar para ele?
Sem pensar duas vezes para não me arrepender disquei o numero, infelizmente chamou até cair! Eu deveria esquecer, mas algo me dizia que havia ocorrido um problema... Eu só não sei qual.
Eu olhei no relógio e decidir aproveitar minhas duas horas de almoço pra ir atrás de informações sobre seu paradeiro...  Eu devo estar maluca! Com certeza eu enrolaria muito para ir o procurar em seu apartamento, porém aqui é só sete minutos do quartel...  
Coloquei o capacete e fechei a viseira, em segundos eu estava a toda velocidade na pista de oitenta Km por horas...  O trânsito   é rápido aqui, me fazendo perceber a diferença entre Brasília e Goiânia...    
Assim que parei na portaria um medo percorreu minha veia, e se ele estivesse ali, como eu deveria reagir, eu estou perdida, é melhor eu voltar para trás e fingir que nada aconteceu, mas se ele não estiver bem?  
—Oi Stella... _Uma voz amigável falou.
—Oi Otávio, tudo bem? _Perguntei, eu realmente estava feliz em velo trabalhando, mas agora eu não poderia desistir.
—Tudo, o que faz aqui no quartel? _Ele parecia interessado.
Pude sentir meu rosto corar de vergonha, eu não deveria estar ali...
—O Erick veio trabalhar? –Eu perguntei sem jeito.
—Na verdade ele faltou serviço...
—Sabe o porquê?
—Não tenho a menor idéia...
Eu realmente fiquei preocupada.  Eu peguei o capacete para ir embora continuar a busca quando aquele homem forte de um sorriso encantador direcionou a palavra a mim.
—Já almoçou?  Eu estou indo agora, o que acha de me faze companhia? _Ele colocou as mãos no bolso.
—Eu tenho algo importante a fazer...
—Não seja careta, vai ser legal!
—Só se for rápido. _Deixei-me levar.
—E vai...
Então atravessamos a rua, havia um restaurante bem aconchegante na esquina... 
—Você é uma companhia adorável. _Ele afirmou.
—Você ainda não tem a mínima noção de como sou! _O contrapões...
—É sem noção. Tenho absoluta certeza, pois pra se apaixonar pelo Erick no mínimo tem que estar com algum defeito de fabrica...
—Como assim? _Falei sorrindo
—Tipo, uns parafusos a menos no cérebro! _Ele deu uma gargalhada.
—Desculpa lhe decepcionar. Eu sei que sou adorável, mas eu e seu amiguinho não temos nada alem de certa amizade de cão e gato...  
—Não foi o que notei ao lhe ver ao lado dele no velório. _Ele pausou pensativo, eu entendi na hora que foi por causa da tragédia.
—Eu só estava sendo solidaria, mas na maioria das vezes vivemos em pé de guerra!
—Então porque está a procurar ele? _Otávio me questionou.
—Ele não pegou o elevador, não ligou o radio e não levou a vadia dessa noite até a recepção...
—Vadia?
—É uma morena de cabelo ondulado ela é... _Eu pausei ao ver a moça adentrar no restaurante com uma blusa do CBM, então ela trabalhava com ele.
—Ele é?
—Aquela mulher ali! _Mostrei apontando o dedo, digamos que nunca fui muito boa com relação a ser discreta.
O Otávio engasgou com a água que tomava.
—Você tem certeza que o viu com a Barbara?
Confirmei com a cabeça sem entender a surpresa.
—Stella, vai imediatamente até o apartamento dele! Eu vou falar com ela... Qualquer noticia me ligue.
—Certo, farei isso agora mesmo...
Corri em direção a minha moto e acelerei o Máximo que pude de acordo com as normas de trânsito! Eu estava com um péssimo pressentimento e quando o Otávio ficou sabendo do rolo com aquela vadia ele pareceu atordoado, isso acabou me deixando mais nervosa e assustada...
Assim que cheguei ao prédio onde moramos eu corri até o elevador e selecionei o nono andar o mais de pressa possível...
Assim que abria a porta do apartamento do Erick que estava destrancada fui despedaçada, foi como levar uma facada no peito, eu não pude acreditar na imagem que meus olhos enxergavam! Tinha que ser só uma ilusão... 
—Erick? O quê aconteceu... _ Perguntei correndo até ele...
—Eu... Eu... Não... Minha cabeça! _Ele parecia confuso.
Ele não me parecia bem, seus olhos estavam inchados e ao seu redor havia muitas garrafas de águas vazias... Nunca o vi tão detonado...
—Ei, o que houve com você? _Perguntei calma.
—Eu juro que não sei o que houve! Eu não me lembro de nada...
Meu garoto! Quer dizer o Erick! Bem, ele estava tenso e triste, pude notar seus olhos brilharem.
—Pode confiar em mim... Eu preciso saber tudo que ocorreu desde ontem à noite! Eu tenho uma teoria e talvez ela possa se confirmar!
—Ta bom, eu te conto tudo miss estresse! _Ele falou firmando a visão para que pudesse me ver... —Eu salvei a Barbara de um possível extrupo, mas a garota não quis ir para casa então a trouxe aqui até ela se sentir melhor...
—Foi um erro... _Afirmei
—Eu sei que foi... Depois fomos conversar... E bem as coisas ficaram confusas, minha vontade era uma mais as minhas ações eram outras...
—Vocês acabaram transando, só que você não se lembra? _Perguntei seria... Ele foi muito ingênuo!
—É... Eu sei o que você desconfia e sim foi mesmo...  Ela me drogou... 
Então ele sabia disso e não fez nada...
—Assim que acordei em plena 11 hora da manhã, a primeira coisa que fiz foi me avaliar e fazer uma varredura pela casa...
—Então como você ingeriu a droga?
—Ela preparou um suco de laranja...
—Nossa! Foi tão esperado!
—Eu sei, e não me diga que sou um idiota!
—Já que não quer ouvir a verdade eu me calo!
Depois das revelações eu o coloquei um avental e iniciei uma faxina no apartamento enquanto ele banhava na água gelada... Mesmo odiando dar faxina me pareceu o certo a se fazer, ele é meu amigo...  E perder só mais três aulas essa semana não é o fim do mundo!






terça-feira, 23 de junho de 2015

8 Erick: SOS, salvei á pessoa errada!

SOS, salvei á pessoa errada!


—Senhor Erick, você tem um tempo para mim? _A recepcionista do apartamento perguntou.
—Na verdade, não! _Sai apreçado, é obvio que ela só quer cobrar o aluguel.
É vergonhoso atrasar mais de dez dias para pagar, mas não recebi ainda devido o adiantamento que fiz o mês passado para pagar os exames da Érica!
Eu praticamente estou nadando em dividas...  Mas enfim, a vida é sempre um pé no saco!
Descido ainda meio temeroso a ir procurar minha loirinha que deve estar debaixo de alguns viadutos fumando um baseado! Ela é minha... Eu tenho que protegê-la pelo menos uma vez na vida!
Já são oito e meia, não me importo com o horário, tudo que quero é achá-la mesmo que dure a noite toda...
Corri no estacionamento decidido... Eu vou fazer a diferença, há um livro que sita uma frase linda “Nós somos a luz do mundo”... É lógico que eu me considero mais a água do mundo já que eu faço é apagar o fogo e não acender...  Mas vocês entenderam a piada!
Antes de sair pelas ruas do distrito federal, lavei o pára-brisa... Eu sei, é um milagre eu lavar algo, mas o policial me deu uma prensa hoje cedo falando que eu deveria limpa-lo, pois não tinha como enxergar nada!
Comecei a busca ás 21:00 horas da noite... De primeiro passei por algumas pracinhas aonde sempre visitávamos... Eu sei que isso não é hora de uma mulher grávida está na rua, mas algo me dizia que eu deveria a procurar...  Depois de uma hora e todas as praças revistadas parei pra pensar que era como estar procurando uma agulha no palheiro.    
Procurei em estabelecimentos...  Ela poderia estar jantando em algum lugar...
Mais uma hora se passou então parei em uma pizzaria e encomendei uma grande de calabresa, se de tudo eu não achá-la pelo menos vou comer uma pizza!
O clima já esfriará muito desde que sai de casa, minha baby look branca estava gelada e suja, eu parei pra refletir... Estou muito sem noção de pensar em encontrá-la em qualquer lugar de Brasília, meu cérebro não pode estar bem... Eu sabia que não seria fácil, mas é impossível...  Antes de tudo vou precisar de uma estratégia...
Eu voltei para a caminhonete e decidir procurá-la em alguns lugares que costumava freqüentar, na verdade eram pontos de drogas. Minha cabeça começou a latejar, a idéia de vê-la envolvida com aquela gangue de marginais novamente era terrível!
Depois de dez viadutos apenas com jovens bancando a bacana com o uma maço de cigarros na mão me deparei com um problema, enquanto procurava pela Érica vejo uma morena sendo agredida. Ela parecia ser da galera já que estava vestida como tal, provavelmente era só uma briguinha, mas percebo que estavam tentando abusar da moça.
Isso não vai acabar bem imaginei... Então pensei rápido, eu não tinha a mínima chance de chegar bancando o herói e socando todo mundo então vesti minha farda cinza do corpo de bombeiro e liguei a sirene... O escuro os impossibilitam de ver meu distintivo do  CBM( Corpo de Bombeiro Militar), desta maneira foi fácil me passar por um policial. Aquela gangue de menores de idade nunca tentaria lutar contra um policial, é obvio que se fossem experientes eu estava perdido!
Como o previsto os moleques correram deixando a moça para trás...
—Você está bem? _Perguntei preocupado.           
—Que D*@¨#!!! _Ela xingou.
—Eu conheço essa voz! _Falei surpreso.
—Ai... Por quê tinha que ser você! _Resmungou ela.
—Ei, eu salvei sua vida! Deveria se declarar em vez de ficar reclamando...
—Não banque o chato, Erick! _Ela me encarou.
Eu fiquei pensativo, como a filha de uma policial pode ser tão irresponsável!
—Não ligue para minha mãe, eu já estou indo...
—Nem pense nisso! Não antes de me dar uma satisfação.
—É complicado de se explicar!
—Eu tenho a noite toda... _Falei sorrindo enquanto a guiava até a caminhonete.
Ela ainda parecia desconcertada e rabugenta.
—Eu sempre te chamo de filha da Carla, mas não sei o seu nome? _Fiquei sem graça ao expor isso.
—É Barbara...
—Certo Barbara, eu quero que me espere enquanto eu vou pegar uma pizza que encomendei! Depois nós vamos para meu apartamento.
—Hum, dessa parte eu gostei!
Eu pisquei sorrindo, mas no fundo eu fiquei constrangido com aquilo, não me interprete mal, eu amaria um programinha principalmente com uma gatinha dessas, mas eu só queria ajudá-la!
Eu peguei a encomenda e fomos para casa, eu não parava de pensar no que minha loira estava passando neste mundo a fora...
—Quer me contar o porquê se mete com essa gente? _Fui direto.
—Por que eles me dão atenção, afinal eu só quero curtir um pouco!
Então fiquei pensando, talvez a Érica se sinta dessa maneira...
—Eu gosto de bagunça! _Ela falou mordendo os lábios.
—Percebi!
Déssemos rápido do veiculo e fomo para meu apartamento... Eu não sei onde estava com a cabeça quando a convidei para minha casa... Ela subi as escadas primeiro fazendo com que seu vestido curtíssimo não tampasse aquele bumbum tão sexy!
A garota insistiu em irmos pelas escadas, agora eu sei o por que...
—Você é uma ótima pessoa, loirinho!
Essa fofura toda não é boa coisa...
Assim que passamos pelo oitavo andar dou de cara com a Stella que conversava com a mãe pelo telefone!
—Essa é a décima vadia da semana? _Ela perguntou baixo tampando o celular para que a pessoa do outro lado da linha não ouvir.
—É a nona, eu guardei o décimo lugar para você... _pisquei e sai sorrindo...  Aquela morena branquela é muito comédia...
Assim que entrei em casa, mostrei onde é o banheiro para a Barbara e lhe avisei que poderia ficar a vontade... Mesmo ela já estando... Percebi que sua roupa estava molhada e suja e precisava de um banho.
—Pode banhar eu te empresto uma camisa minha.
—Eu prefiro não banhar agora, eu quero comer primeiro! _Ela diz passando a mão no estomago.
Eu peguei os pratos e um suco de laranja enquanto ela usava o banheiro...
—Você é organizado com a casa! _Afirmou ela.
—Nem tanto, eu sou do tipo que esconde tudo na dispensa e debaixo dos móveis!
Ela apenas riu, continuamos uma conversa agradável ...
—Ai, que pena que o suco acabou... _Resmunguei com a boca seca.
—Eu vou preparar um enquanto você escolhe um filme para assistirmos. _Ela tomou a atitude de ir preparar.
—Fechado. _Eu sabia que me meti em uma roubada, mas não estou disposto a passar a noite com ela. Minha cabaça está voltada para minha loirinha que decidiu sair de casa!
A Barbara é uma mulher linda, mas eu não estou no clima!
Ela demorou dez minutos pra preparar um suco novo já que bebemos o outro todo. minha casa ta tão pobre que nem refrigerante tem e tive que pagar a pizza no cartão dividido em duas vezes!
 Ela voltou com uma jarra cheia...
Nos bebemos muito acompanhado de fatias graúdas do  sabor calabresa...
Algo forte subiu minha cabeça, de repente persebi o quanto sou um idiota, estou com uma morena maluca e vamos ver um filme! Fala serio, tem uma forma muito melhor de se aproveitar esse momento!
—Eu amo estar com você! _Ela falou rindo descontroladamente...
—E eu te acho perfeita! _Falei brincando.
—Que filme vamos ver?
—Nenhum... Eu to louco por você! _Quer saber, que se foda tudo!
Eu a peguei pela cintura e a levei para debaixo do chuveiro, nós tentamos tomar um banho em meio aos beijos prazerosos...
O resto vocês já sabem!



segunda-feira, 22 de junho de 2015

7 Stella: Encontro no velório?

Encontro no velório?


Até parece ser engraçado ser convidada para um velório de alguém que você nunca viu, mas foi isso que o Erick fez, devo confessar que ele deveria estar mesmo precisando, pois me chamar pra ser sua companhia é um “MILAGRE”... Achei fofinho o que ele falou a respeito de eu ser uma pessoa boa de prosa, bem, foi isso o que eu entendi com suas palavras desesperadas...
Eu poço não ligar muito pro que vestir, mas nessa situação deve se tomar muito cuidado, não se pode usar preto, pois você não tinha intimidade com o defunto para que esteja de luto, ficaria muito falso e nada de amarelo ou rosa Pink, pois você vai passar felicidade e essa literalmente não é a intenção!
Depois de muito tempo escolhi uma camisa branca e uma saia justa beije, não ficou nada chamativo e nem vulgar...
—O que acha? _Perguntei dando uma voltinha.
—Tenho certeza que nenhum homem vai assoviar para você. Mas está até legal.
—Sei... _Acabei sorrindo da sua falta de entusiasmo com meu look.
—O que acha de irmos? _Ele propões.
—Espere, preciso passar um batom. _Falei já no banheiro, o espelho do armário acima do lavatório é o melhor do apartamento.
Depois de já estar pronta peguei uma bolsa antiga mais conservada, eu sou do tipo de mulher que só anda de moto então minhas coisas normalmente ficam na mochila de costa...
—Olha, eu acho que o meu amigo Otávio vai estar na pior! _Ele olhou-me serio e pensativo.
—E? _Esperei que ele completasse o recado.
—Imagino que teremos que o consolar, é só pra você não se assustar...
Continuamos a conversa sobre esse tal amigo, eu tinha que no mínimo saber mais ou menos sobre ele, então passamos o percurso quase todo com a conversa em torno deste assunto, observei que Erick e o tal Otávio eram bem próximos...
De repente surgiu uma duvida em minha cabeça...
—Erick, como você vai me apresentar para a família? _Ele resmungou algo baixo e inaudível, provavelmente ele estava com a cabeça no mundo da lua.
Isso era preocupante, afinal estamos falando de mim...
Depois de quarenta minutos chegamos... A igreja era pequena... Levantei o rosto pra fora da janela e observei a denominação do local, de acordo com o outdoor era uma assembleia de Deus... Isso não importava, mas é bom ler tudo aonde você vai...
—Me dê sua mão... _Ele parecia sério, algo o atormentava, faz meia hora que ele não diz nada obseno ou arrogante...
Apenas dei minha mão a ele, era como se eu não devesse desobedecer!
—Bom dia senhor..._Ele cumprimentou o porteiro.  Eu apenas o imitei...
—Sabe que pensando bem você está muito gata! _Ele falou sorrindo discretamente enquanto avaliava as mulheres de vestidos longos e pretos com a maquiagem toda borrada.
—Seu idiota! _Retruquei.
Nós caminhamos até uma família que conversavam tristemente em um banco da igreja.
—Bom dia pessoal, como vocês estão? _Ele perguntou.
—Já estivemos dias melhores. _Um deles respondeu.
Para não parecer mal educada acenei.
—Eu vou te levar até a família do Otávio, eles que criavam o jovem que morreu...   _Sussurrou em meu ouvido.
Caminhamos lentamente, pude notar uns olhares em minha direção... Talvez eu não tenha escolhido a melhor roupa...
—Oi senhor e senhora Vieira... Como estão agora?_Ele fala os abraçando.
—Não sei descrever rapaz, mas a ficha da perda caiu. Agora já aceitamos o fato de ser ele mesmo ali naquele caixão. _A mulher já de idade fala baixo com a voz falha, devido o choro que insistia em escorrer.
—Podem contar comigo no quê precisarem. _Me ofereci.
—Que garota linda, você é a nova namorada do Erick...
Eu fiquei sem jeito e muito sem graça.
—Querida hoje em dia as coisas são diferente, eles são apenas ficantes como o Otávio diz! _O senhor explicou.
—Na verdade somos apenas amigos. _Falei rápido tentando me justificar!
—É aquele lance amizade colorida! Vocês dois não são capazes de compreender! _Um homem forte com um belo sorriso se aproximou intrometendo no assunto!
Erick sorriu verdadeiro e abraçou o homem que deduzir ser o tal Otávio.
—Meu amigo essa é minha vizinha. _Ele me apresentou. O homem confirmou com a cabeça e beijou minha mão fazendo graça pra descontrair.
—Então você é a tão falada miss estresse! _Ele perguntou rindo por saber que colocou o amigo na maior enrascada.
—Prefiro ser chamada de Stella, mas sou eu sim! E você deve ser o louco!
—Porque louco?
—Pra ser amigo do Erick tem que ser louco!
O homem loiro de olhos verde parecia irritado com nossa aproximação. Afinal falávamos dele.
—Então você gosta de ser uma afinal também é amiga dele!
—É, você me pegou...
Depois das apresentações os rapazes saíram, eu acho que o homem do sorriso lindo queria desabafar, ele parecia alegre, porém era uma mascara e se você olhasse no fundo de seus olhos era capaz de enxergar a magoa e o desespero... 
—Oi, meu nome é Liza... _Uma loira de cabelos enormes se apresentou.
—É um prazer conhecê-la, Liza. Você era parente do garoto? _Perguntei curiosa.
—Não, meu marido foi contratado para tocar no velório! _Ela falou apontando para um homem de semblante gentil.
—Você me parece deslocada? _Concluiu ela.
—E estou, meu amigo pediu minha companhia e teve que se retirar por alguns segundos! _Expliquei.
—Aquela garota parece atordoada! _Ela me mostrou discretamente para que ninguém percebesse.
Liza tinha razão, uma morena baixinha se arranhava freneticamente com a unha  e parecia descontrolada...
—Eu vou até lá... _falou decidida.
—Mas você nem a conhece! _Me espantei.
—Deus vai me ajuda. _Ela já se direcionou ao banco onde a garota estava. Eu pelo contrario fiquei mais afastada apenas a observando.
—Qual é o seu nome, flor?
A garota respondeu em um tom inaudível.
—O quê se passa neste seu coração? _Ela falou apontando pro peito da garota.
—Ele era tudo pra mim...
—Eu sei, é possível perceber o amor que você sente apenas no olhar...
—Ele me abandonou! _Ela iniciou uma nova cessão de lágrimas. 
—As pessoas não nos abandonam quando morrem...
—Mentira, eu nunca vou seguir em frente...
—Vai sim, eu tinha mais ou menos sua idade quando sofremos um acidente de carro, meu pai, minha mãe e o meu namorado Carlos morreu! Pensei que tudo tinha acabado. Foi difícil ter que enfrentar a perca e ainda sustentar minha irmã Bia, mas consegui...
—E hoje você é feliz?
—Lógico. Deus colocou na minha vida um cara muito especial chamado Caio e realizou os meus sonhos e de minha irmã, tudo que restou das pessoas que se foram foi à lembrança de que eles foram reais e que eu os amei pra valer. E hoje sei que essas lembranças são o suficiente!     
—Então o segredo é confiar em Deus e seguir em frente?
—Sim, e jamais se perca ou deixe a magoa te dominar!
Elas se abraçaram e Liza retornou a mim.
Ela parecia orgulhosa por reconfortar a garota que certamente era namorada do defunto que não sei o nome.
—Veja, meu marido vai tocar...
Em questão de segundos um som calmo dominou o ambiente tornando tudo mais tranqüilo...   Logo o Erick retornou e pediu desculpa por ter me deixado sozinha... A Liza foi fazer companhia ao marido nos deixando a sós.
—Como o Otávio está? _Perguntei preocupada.
— Não gostei de todo esse interesse por aquele tapado! _Ele cobrou ciúmes.
—Você não tem direito de reclamar de nada, e o seu amigo é bem interessante...  _Falei pra azucrinar ele.
—Pena que você não faz o tipo dele, não  é mesmo miss estresse? _Aquele idiota fez uma cara debochada.
Tudo continuava naquele clima tenso e triste, afinal estávamos no velório.
—Ele está com um semblante agonizado! _Erick cochichou em meus ouvidos.
—Talvez ele tenha ido para o inferno! _Falei baixinho.
—Você não sabe! Deus ensinou a não julgar alguém pela aparência!
—Mas foi só um comentário, aliás, olha quem fala, o cara mais galinha do prédio!
—E você julgando de novo! Eu acho que sua situação é mais precária do quê a minha!
—Pelo menos eu frequento a igreja e leio a bíblia! _Bufei estressada.
—E quem disse que eu não? _Ele fez aquela cara sínica que faz o meu sangue ferver!
Será que ele tem razão? Eu não faço um julgamento precipitado! Ou melhor eu não faço um julgamento!
Eu continuava a me questionar quando uma senhora entrou pelo corredor central da igreja...
—Meu netinho! _Gritou apavorada!
—Calma mãe...
—Por que você não me avisou antes! _Ela parecia indignada.
A mulher caminhou até o caixão e desabou em lagrimas, ele parecia não se conformar com o fato de o neto mais novo morrer...
—Ele tinha apenas  16 anos... Por que o levou, Deus? –O seu estado dava até medo.
A situação continuou assim até que ela começou a cambalear desorientada, o Erick correu até ela á tempo de ampará-la em seus braços, fiquei encabulada com o a velocidade que ele agiu, estava muito claro que ele era um ótimo bombeiro...
A mulher estava desmaiada, eu ajudei o Erick a prestar os primeiros socorros e ao mesmo tempo liguei para ambulância já descrevendo o quadro de saúde da vitima... 
Tudo foi assustador para os que assistiam, mas assim que a ambulância a levou para o hospital as coisas retornaram para o normal da ocasião. Depois de umas horas teve  o culto e o enterro...
Eu e o Erick acompanhamos o Otávio em casa para confirmar que ele ficaria bom. Eu cheguei na recepção do apartamento as  quatro horas da tarde.
—Eu queria lhe agradecer por ter me acompanhando! _Ela falou feliz.
—Sempre que precisar é só me chamar! _Falei gentilmente.
Ele me abraçou, foi tão fofinho esse gesto.
Então sorri com sinceridade para lhe mostrei o quão feliz eu estava por ter sido sua companhia!
—Eu amo ver este sorriso. _Ele confessou antes de sair.