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sexta-feira, 26 de junho de 2015

9 Stella: Você está bem?







Eu estou agoniada, está prestes a ocorrer um novo naufrágio igual o Titanic, ou o acidente das torres gemia, eu não estou brincando, meu coração que pular pela minha boca...
—Stella, o quê foi? Você pode estar com alguma virose...  _O Bruno sugere enquanto caminhávamos pelos corredores da universidade.
—Eu estou cismada, é só isso! _Falei pensativa.
—Me diga o por quê? _Ele pediu fazendo biquinho.  
—Prometa que não vai sorrir...
Ele assentiu com a cabeça, mas não botei muita fé...
—Eu acho que meu vizinho está em um apuro! _Desabafei.
—Isso tudo é por causa do seu vizinho! E ainda fala que o odeia! _Ele diz irônico.
—Eu não o odeio, só não damos muito certo, mas enfim, ele não pegou o elevador essa manhã!
—E você está suando frio porque não se encontraram hoje!
Eu me calei, traduzindo esse pressentimento em palavras parece idiota, mas eu e ele temos uma ligação e sempre nos encontramos na parte da manhã para discutir! O Bruno não entendeu nada, é lógico que não o posso culpar. Ninguém em sã consciência vai entender o que se passa no meu coração!   
—Você falou com a Laura esse final de semana?
—Não, e nem vou falar... Ele é uma idiota! Acredita...
—Me poupe da triste historia de vitima assediada, eu já ouvi a versão da Laura e saquei tudo!
—Espero que tenha sacado certo! _Falei chateada por ele não me deixar concluir.
—Eu sei que a Laura agiu como uma insana!
—Ótimo... _Confirmei me sentando na carteira.
O professor adentrou como todos os dias, carregando uma mala cheia de papeis um suco de pêssego na mão e uma cara de quem cheirou bosta! 
—Senhorita Ferreira, pode nos dizer qual é a função básica do sistema cardiovascular? _O professor perguntou se virando a mim.
—É levar material nutritivo e oxigênio às células. _Respondi com convicção.
—Ótima resposta!
Alguns universitários reviraram os olhos com raiva ou inveja.  Vai saber o que passa na alma de cada um...
—Aposto que você está nas nuvens com esse elogio não é mesmo senhorita Ferreira... _O Bruno tirou sarro da circunstancia!
—Você é um inútil mesmo...
O professor começou a falar sobre o tal sistema enquanto cada aluno anotava o que bem queria...
Depois dessa longa aula de uma hora e meia o Bruno foi conversar com a Laura enquanto me direcionei a biblioteca...
Eu não me importava de estar sozinha desde que tivesse um bom livro por perto...  Procurei na sessão de mistério e acabei encontrando Sherlock Homes, eu amor ler os livros dele, mas esse lance de mistério só me fez preocupar mais com o Erick. Será que pega mal eu ligar para ele?
Sem pensar duas vezes para não me arrepender disquei o numero, infelizmente chamou até cair! Eu deveria esquecer, mas algo me dizia que havia ocorrido um problema... Eu só não sei qual.
Eu olhei no relógio e decidir aproveitar minhas duas horas de almoço pra ir atrás de informações sobre seu paradeiro...  Eu devo estar maluca! Com certeza eu enrolaria muito para ir o procurar em seu apartamento, porém aqui é só sete minutos do quartel...  
Coloquei o capacete e fechei a viseira, em segundos eu estava a toda velocidade na pista de oitenta Km por horas...  O trânsito   é rápido aqui, me fazendo perceber a diferença entre Brasília e Goiânia...    
Assim que parei na portaria um medo percorreu minha veia, e se ele estivesse ali, como eu deveria reagir, eu estou perdida, é melhor eu voltar para trás e fingir que nada aconteceu, mas se ele não estiver bem?  
—Oi Stella... _Uma voz amigável falou.
—Oi Otávio, tudo bem? _Perguntei, eu realmente estava feliz em velo trabalhando, mas agora eu não poderia desistir.
—Tudo, o que faz aqui no quartel? _Ele parecia interessado.
Pude sentir meu rosto corar de vergonha, eu não deveria estar ali...
—O Erick veio trabalhar? –Eu perguntei sem jeito.
—Na verdade ele faltou serviço...
—Sabe o porquê?
—Não tenho a menor idéia...
Eu realmente fiquei preocupada.  Eu peguei o capacete para ir embora continuar a busca quando aquele homem forte de um sorriso encantador direcionou a palavra a mim.
—Já almoçou?  Eu estou indo agora, o que acha de me faze companhia? _Ele colocou as mãos no bolso.
—Eu tenho algo importante a fazer...
—Não seja careta, vai ser legal!
—Só se for rápido. _Deixei-me levar.
—E vai...
Então atravessamos a rua, havia um restaurante bem aconchegante na esquina... 
—Você é uma companhia adorável. _Ele afirmou.
—Você ainda não tem a mínima noção de como sou! _O contrapões...
—É sem noção. Tenho absoluta certeza, pois pra se apaixonar pelo Erick no mínimo tem que estar com algum defeito de fabrica...
—Como assim? _Falei sorrindo
—Tipo, uns parafusos a menos no cérebro! _Ele deu uma gargalhada.
—Desculpa lhe decepcionar. Eu sei que sou adorável, mas eu e seu amiguinho não temos nada alem de certa amizade de cão e gato...  
—Não foi o que notei ao lhe ver ao lado dele no velório. _Ele pausou pensativo, eu entendi na hora que foi por causa da tragédia.
—Eu só estava sendo solidaria, mas na maioria das vezes vivemos em pé de guerra!
—Então porque está a procurar ele? _Otávio me questionou.
—Ele não pegou o elevador, não ligou o radio e não levou a vadia dessa noite até a recepção...
—Vadia?
—É uma morena de cabelo ondulado ela é... _Eu pausei ao ver a moça adentrar no restaurante com uma blusa do CBM, então ela trabalhava com ele.
—Ele é?
—Aquela mulher ali! _Mostrei apontando o dedo, digamos que nunca fui muito boa com relação a ser discreta.
O Otávio engasgou com a água que tomava.
—Você tem certeza que o viu com a Barbara?
Confirmei com a cabeça sem entender a surpresa.
—Stella, vai imediatamente até o apartamento dele! Eu vou falar com ela... Qualquer noticia me ligue.
—Certo, farei isso agora mesmo...
Corri em direção a minha moto e acelerei o Máximo que pude de acordo com as normas de trânsito! Eu estava com um péssimo pressentimento e quando o Otávio ficou sabendo do rolo com aquela vadia ele pareceu atordoado, isso acabou me deixando mais nervosa e assustada...
Assim que cheguei ao prédio onde moramos eu corri até o elevador e selecionei o nono andar o mais de pressa possível...
Assim que abria a porta do apartamento do Erick que estava destrancada fui despedaçada, foi como levar uma facada no peito, eu não pude acreditar na imagem que meus olhos enxergavam! Tinha que ser só uma ilusão... 
—Erick? O quê aconteceu... _ Perguntei correndo até ele...
—Eu... Eu... Não... Minha cabeça! _Ele parecia confuso.
Ele não me parecia bem, seus olhos estavam inchados e ao seu redor havia muitas garrafas de águas vazias... Nunca o vi tão detonado...
—Ei, o que houve com você? _Perguntei calma.
—Eu juro que não sei o que houve! Eu não me lembro de nada...
Meu garoto! Quer dizer o Erick! Bem, ele estava tenso e triste, pude notar seus olhos brilharem.
—Pode confiar em mim... Eu preciso saber tudo que ocorreu desde ontem à noite! Eu tenho uma teoria e talvez ela possa se confirmar!
—Ta bom, eu te conto tudo miss estresse! _Ele falou firmando a visão para que pudesse me ver... —Eu salvei a Barbara de um possível extrupo, mas a garota não quis ir para casa então a trouxe aqui até ela se sentir melhor...
—Foi um erro... _Afirmei
—Eu sei que foi... Depois fomos conversar... E bem as coisas ficaram confusas, minha vontade era uma mais as minhas ações eram outras...
—Vocês acabaram transando, só que você não se lembra? _Perguntei seria... Ele foi muito ingênuo!
—É... Eu sei o que você desconfia e sim foi mesmo...  Ela me drogou... 
Então ele sabia disso e não fez nada...
—Assim que acordei em plena 11 hora da manhã, a primeira coisa que fiz foi me avaliar e fazer uma varredura pela casa...
—Então como você ingeriu a droga?
—Ela preparou um suco de laranja...
—Nossa! Foi tão esperado!
—Eu sei, e não me diga que sou um idiota!
—Já que não quer ouvir a verdade eu me calo!
Depois das revelações eu o coloquei um avental e iniciei uma faxina no apartamento enquanto ele banhava na água gelada... Mesmo odiando dar faxina me pareceu o certo a se fazer, ele é meu amigo...  E perder só mais três aulas essa semana não é o fim do mundo!






terça-feira, 23 de junho de 2015

8 Erick: SOS, salvei á pessoa errada!

SOS, salvei á pessoa errada!


—Senhor Erick, você tem um tempo para mim? _A recepcionista do apartamento perguntou.
—Na verdade, não! _Sai apreçado, é obvio que ela só quer cobrar o aluguel.
É vergonhoso atrasar mais de dez dias para pagar, mas não recebi ainda devido o adiantamento que fiz o mês passado para pagar os exames da Érica!
Eu praticamente estou nadando em dividas...  Mas enfim, a vida é sempre um pé no saco!
Descido ainda meio temeroso a ir procurar minha loirinha que deve estar debaixo de alguns viadutos fumando um baseado! Ela é minha... Eu tenho que protegê-la pelo menos uma vez na vida!
Já são oito e meia, não me importo com o horário, tudo que quero é achá-la mesmo que dure a noite toda...
Corri no estacionamento decidido... Eu vou fazer a diferença, há um livro que sita uma frase linda “Nós somos a luz do mundo”... É lógico que eu me considero mais a água do mundo já que eu faço é apagar o fogo e não acender...  Mas vocês entenderam a piada!
Antes de sair pelas ruas do distrito federal, lavei o pára-brisa... Eu sei, é um milagre eu lavar algo, mas o policial me deu uma prensa hoje cedo falando que eu deveria limpa-lo, pois não tinha como enxergar nada!
Comecei a busca ás 21:00 horas da noite... De primeiro passei por algumas pracinhas aonde sempre visitávamos... Eu sei que isso não é hora de uma mulher grávida está na rua, mas algo me dizia que eu deveria a procurar...  Depois de uma hora e todas as praças revistadas parei pra pensar que era como estar procurando uma agulha no palheiro.    
Procurei em estabelecimentos...  Ela poderia estar jantando em algum lugar...
Mais uma hora se passou então parei em uma pizzaria e encomendei uma grande de calabresa, se de tudo eu não achá-la pelo menos vou comer uma pizza!
O clima já esfriará muito desde que sai de casa, minha baby look branca estava gelada e suja, eu parei pra refletir... Estou muito sem noção de pensar em encontrá-la em qualquer lugar de Brasília, meu cérebro não pode estar bem... Eu sabia que não seria fácil, mas é impossível...  Antes de tudo vou precisar de uma estratégia...
Eu voltei para a caminhonete e decidir procurá-la em alguns lugares que costumava freqüentar, na verdade eram pontos de drogas. Minha cabeça começou a latejar, a idéia de vê-la envolvida com aquela gangue de marginais novamente era terrível!
Depois de dez viadutos apenas com jovens bancando a bacana com o uma maço de cigarros na mão me deparei com um problema, enquanto procurava pela Érica vejo uma morena sendo agredida. Ela parecia ser da galera já que estava vestida como tal, provavelmente era só uma briguinha, mas percebo que estavam tentando abusar da moça.
Isso não vai acabar bem imaginei... Então pensei rápido, eu não tinha a mínima chance de chegar bancando o herói e socando todo mundo então vesti minha farda cinza do corpo de bombeiro e liguei a sirene... O escuro os impossibilitam de ver meu distintivo do  CBM( Corpo de Bombeiro Militar), desta maneira foi fácil me passar por um policial. Aquela gangue de menores de idade nunca tentaria lutar contra um policial, é obvio que se fossem experientes eu estava perdido!
Como o previsto os moleques correram deixando a moça para trás...
—Você está bem? _Perguntei preocupado.           
—Que D*@¨#!!! _Ela xingou.
—Eu conheço essa voz! _Falei surpreso.
—Ai... Por quê tinha que ser você! _Resmungou ela.
—Ei, eu salvei sua vida! Deveria se declarar em vez de ficar reclamando...
—Não banque o chato, Erick! _Ela me encarou.
Eu fiquei pensativo, como a filha de uma policial pode ser tão irresponsável!
—Não ligue para minha mãe, eu já estou indo...
—Nem pense nisso! Não antes de me dar uma satisfação.
—É complicado de se explicar!
—Eu tenho a noite toda... _Falei sorrindo enquanto a guiava até a caminhonete.
Ela ainda parecia desconcertada e rabugenta.
—Eu sempre te chamo de filha da Carla, mas não sei o seu nome? _Fiquei sem graça ao expor isso.
—É Barbara...
—Certo Barbara, eu quero que me espere enquanto eu vou pegar uma pizza que encomendei! Depois nós vamos para meu apartamento.
—Hum, dessa parte eu gostei!
Eu pisquei sorrindo, mas no fundo eu fiquei constrangido com aquilo, não me interprete mal, eu amaria um programinha principalmente com uma gatinha dessas, mas eu só queria ajudá-la!
Eu peguei a encomenda e fomos para casa, eu não parava de pensar no que minha loira estava passando neste mundo a fora...
—Quer me contar o porquê se mete com essa gente? _Fui direto.
—Por que eles me dão atenção, afinal eu só quero curtir um pouco!
Então fiquei pensando, talvez a Érica se sinta dessa maneira...
—Eu gosto de bagunça! _Ela falou mordendo os lábios.
—Percebi!
Déssemos rápido do veiculo e fomo para meu apartamento... Eu não sei onde estava com a cabeça quando a convidei para minha casa... Ela subi as escadas primeiro fazendo com que seu vestido curtíssimo não tampasse aquele bumbum tão sexy!
A garota insistiu em irmos pelas escadas, agora eu sei o por que...
—Você é uma ótima pessoa, loirinho!
Essa fofura toda não é boa coisa...
Assim que passamos pelo oitavo andar dou de cara com a Stella que conversava com a mãe pelo telefone!
—Essa é a décima vadia da semana? _Ela perguntou baixo tampando o celular para que a pessoa do outro lado da linha não ouvir.
—É a nona, eu guardei o décimo lugar para você... _pisquei e sai sorrindo...  Aquela morena branquela é muito comédia...
Assim que entrei em casa, mostrei onde é o banheiro para a Barbara e lhe avisei que poderia ficar a vontade... Mesmo ela já estando... Percebi que sua roupa estava molhada e suja e precisava de um banho.
—Pode banhar eu te empresto uma camisa minha.
—Eu prefiro não banhar agora, eu quero comer primeiro! _Ela diz passando a mão no estomago.
Eu peguei os pratos e um suco de laranja enquanto ela usava o banheiro...
—Você é organizado com a casa! _Afirmou ela.
—Nem tanto, eu sou do tipo que esconde tudo na dispensa e debaixo dos móveis!
Ela apenas riu, continuamos uma conversa agradável ...
—Ai, que pena que o suco acabou... _Resmunguei com a boca seca.
—Eu vou preparar um enquanto você escolhe um filme para assistirmos. _Ela tomou a atitude de ir preparar.
—Fechado. _Eu sabia que me meti em uma roubada, mas não estou disposto a passar a noite com ela. Minha cabaça está voltada para minha loirinha que decidiu sair de casa!
A Barbara é uma mulher linda, mas eu não estou no clima!
Ela demorou dez minutos pra preparar um suco novo já que bebemos o outro todo. minha casa ta tão pobre que nem refrigerante tem e tive que pagar a pizza no cartão dividido em duas vezes!
 Ela voltou com uma jarra cheia...
Nos bebemos muito acompanhado de fatias graúdas do  sabor calabresa...
Algo forte subiu minha cabeça, de repente persebi o quanto sou um idiota, estou com uma morena maluca e vamos ver um filme! Fala serio, tem uma forma muito melhor de se aproveitar esse momento!
—Eu amo estar com você! _Ela falou rindo descontroladamente...
—E eu te acho perfeita! _Falei brincando.
—Que filme vamos ver?
—Nenhum... Eu to louco por você! _Quer saber, que se foda tudo!
Eu a peguei pela cintura e a levei para debaixo do chuveiro, nós tentamos tomar um banho em meio aos beijos prazerosos...
O resto vocês já sabem!



segunda-feira, 22 de junho de 2015

7 Stella: Encontro no velório?

Encontro no velório?


Até parece ser engraçado ser convidada para um velório de alguém que você nunca viu, mas foi isso que o Erick fez, devo confessar que ele deveria estar mesmo precisando, pois me chamar pra ser sua companhia é um “MILAGRE”... Achei fofinho o que ele falou a respeito de eu ser uma pessoa boa de prosa, bem, foi isso o que eu entendi com suas palavras desesperadas...
Eu poço não ligar muito pro que vestir, mas nessa situação deve se tomar muito cuidado, não se pode usar preto, pois você não tinha intimidade com o defunto para que esteja de luto, ficaria muito falso e nada de amarelo ou rosa Pink, pois você vai passar felicidade e essa literalmente não é a intenção!
Depois de muito tempo escolhi uma camisa branca e uma saia justa beije, não ficou nada chamativo e nem vulgar...
—O que acha? _Perguntei dando uma voltinha.
—Tenho certeza que nenhum homem vai assoviar para você. Mas está até legal.
—Sei... _Acabei sorrindo da sua falta de entusiasmo com meu look.
—O que acha de irmos? _Ele propões.
—Espere, preciso passar um batom. _Falei já no banheiro, o espelho do armário acima do lavatório é o melhor do apartamento.
Depois de já estar pronta peguei uma bolsa antiga mais conservada, eu sou do tipo de mulher que só anda de moto então minhas coisas normalmente ficam na mochila de costa...
—Olha, eu acho que o meu amigo Otávio vai estar na pior! _Ele olhou-me serio e pensativo.
—E? _Esperei que ele completasse o recado.
—Imagino que teremos que o consolar, é só pra você não se assustar...
Continuamos a conversa sobre esse tal amigo, eu tinha que no mínimo saber mais ou menos sobre ele, então passamos o percurso quase todo com a conversa em torno deste assunto, observei que Erick e o tal Otávio eram bem próximos...
De repente surgiu uma duvida em minha cabeça...
—Erick, como você vai me apresentar para a família? _Ele resmungou algo baixo e inaudível, provavelmente ele estava com a cabeça no mundo da lua.
Isso era preocupante, afinal estamos falando de mim...
Depois de quarenta minutos chegamos... A igreja era pequena... Levantei o rosto pra fora da janela e observei a denominação do local, de acordo com o outdoor era uma assembleia de Deus... Isso não importava, mas é bom ler tudo aonde você vai...
—Me dê sua mão... _Ele parecia sério, algo o atormentava, faz meia hora que ele não diz nada obseno ou arrogante...
Apenas dei minha mão a ele, era como se eu não devesse desobedecer!
—Bom dia senhor..._Ele cumprimentou o porteiro.  Eu apenas o imitei...
—Sabe que pensando bem você está muito gata! _Ele falou sorrindo discretamente enquanto avaliava as mulheres de vestidos longos e pretos com a maquiagem toda borrada.
—Seu idiota! _Retruquei.
Nós caminhamos até uma família que conversavam tristemente em um banco da igreja.
—Bom dia pessoal, como vocês estão? _Ele perguntou.
—Já estivemos dias melhores. _Um deles respondeu.
Para não parecer mal educada acenei.
—Eu vou te levar até a família do Otávio, eles que criavam o jovem que morreu...   _Sussurrou em meu ouvido.
Caminhamos lentamente, pude notar uns olhares em minha direção... Talvez eu não tenha escolhido a melhor roupa...
—Oi senhor e senhora Vieira... Como estão agora?_Ele fala os abraçando.
—Não sei descrever rapaz, mas a ficha da perda caiu. Agora já aceitamos o fato de ser ele mesmo ali naquele caixão. _A mulher já de idade fala baixo com a voz falha, devido o choro que insistia em escorrer.
—Podem contar comigo no quê precisarem. _Me ofereci.
—Que garota linda, você é a nova namorada do Erick...
Eu fiquei sem jeito e muito sem graça.
—Querida hoje em dia as coisas são diferente, eles são apenas ficantes como o Otávio diz! _O senhor explicou.
—Na verdade somos apenas amigos. _Falei rápido tentando me justificar!
—É aquele lance amizade colorida! Vocês dois não são capazes de compreender! _Um homem forte com um belo sorriso se aproximou intrometendo no assunto!
Erick sorriu verdadeiro e abraçou o homem que deduzir ser o tal Otávio.
—Meu amigo essa é minha vizinha. _Ele me apresentou. O homem confirmou com a cabeça e beijou minha mão fazendo graça pra descontrair.
—Então você é a tão falada miss estresse! _Ele perguntou rindo por saber que colocou o amigo na maior enrascada.
—Prefiro ser chamada de Stella, mas sou eu sim! E você deve ser o louco!
—Porque louco?
—Pra ser amigo do Erick tem que ser louco!
O homem loiro de olhos verde parecia irritado com nossa aproximação. Afinal falávamos dele.
—Então você gosta de ser uma afinal também é amiga dele!
—É, você me pegou...
Depois das apresentações os rapazes saíram, eu acho que o homem do sorriso lindo queria desabafar, ele parecia alegre, porém era uma mascara e se você olhasse no fundo de seus olhos era capaz de enxergar a magoa e o desespero... 
—Oi, meu nome é Liza... _Uma loira de cabelos enormes se apresentou.
—É um prazer conhecê-la, Liza. Você era parente do garoto? _Perguntei curiosa.
—Não, meu marido foi contratado para tocar no velório! _Ela falou apontando para um homem de semblante gentil.
—Você me parece deslocada? _Concluiu ela.
—E estou, meu amigo pediu minha companhia e teve que se retirar por alguns segundos! _Expliquei.
—Aquela garota parece atordoada! _Ela me mostrou discretamente para que ninguém percebesse.
Liza tinha razão, uma morena baixinha se arranhava freneticamente com a unha  e parecia descontrolada...
—Eu vou até lá... _falou decidida.
—Mas você nem a conhece! _Me espantei.
—Deus vai me ajuda. _Ela já se direcionou ao banco onde a garota estava. Eu pelo contrario fiquei mais afastada apenas a observando.
—Qual é o seu nome, flor?
A garota respondeu em um tom inaudível.
—O quê se passa neste seu coração? _Ela falou apontando pro peito da garota.
—Ele era tudo pra mim...
—Eu sei, é possível perceber o amor que você sente apenas no olhar...
—Ele me abandonou! _Ela iniciou uma nova cessão de lágrimas. 
—As pessoas não nos abandonam quando morrem...
—Mentira, eu nunca vou seguir em frente...
—Vai sim, eu tinha mais ou menos sua idade quando sofremos um acidente de carro, meu pai, minha mãe e o meu namorado Carlos morreu! Pensei que tudo tinha acabado. Foi difícil ter que enfrentar a perca e ainda sustentar minha irmã Bia, mas consegui...
—E hoje você é feliz?
—Lógico. Deus colocou na minha vida um cara muito especial chamado Caio e realizou os meus sonhos e de minha irmã, tudo que restou das pessoas que se foram foi à lembrança de que eles foram reais e que eu os amei pra valer. E hoje sei que essas lembranças são o suficiente!     
—Então o segredo é confiar em Deus e seguir em frente?
—Sim, e jamais se perca ou deixe a magoa te dominar!
Elas se abraçaram e Liza retornou a mim.
Ela parecia orgulhosa por reconfortar a garota que certamente era namorada do defunto que não sei o nome.
—Veja, meu marido vai tocar...
Em questão de segundos um som calmo dominou o ambiente tornando tudo mais tranqüilo...   Logo o Erick retornou e pediu desculpa por ter me deixado sozinha... A Liza foi fazer companhia ao marido nos deixando a sós.
—Como o Otávio está? _Perguntei preocupada.
— Não gostei de todo esse interesse por aquele tapado! _Ele cobrou ciúmes.
—Você não tem direito de reclamar de nada, e o seu amigo é bem interessante...  _Falei pra azucrinar ele.
—Pena que você não faz o tipo dele, não  é mesmo miss estresse? _Aquele idiota fez uma cara debochada.
Tudo continuava naquele clima tenso e triste, afinal estávamos no velório.
—Ele está com um semblante agonizado! _Erick cochichou em meus ouvidos.
—Talvez ele tenha ido para o inferno! _Falei baixinho.
—Você não sabe! Deus ensinou a não julgar alguém pela aparência!
—Mas foi só um comentário, aliás, olha quem fala, o cara mais galinha do prédio!
—E você julgando de novo! Eu acho que sua situação é mais precária do quê a minha!
—Pelo menos eu frequento a igreja e leio a bíblia! _Bufei estressada.
—E quem disse que eu não? _Ele fez aquela cara sínica que faz o meu sangue ferver!
Será que ele tem razão? Eu não faço um julgamento precipitado! Ou melhor eu não faço um julgamento!
Eu continuava a me questionar quando uma senhora entrou pelo corredor central da igreja...
—Meu netinho! _Gritou apavorada!
—Calma mãe...
—Por que você não me avisou antes! _Ela parecia indignada.
A mulher caminhou até o caixão e desabou em lagrimas, ele parecia não se conformar com o fato de o neto mais novo morrer...
—Ele tinha apenas  16 anos... Por que o levou, Deus? –O seu estado dava até medo.
A situação continuou assim até que ela começou a cambalear desorientada, o Erick correu até ela á tempo de ampará-la em seus braços, fiquei encabulada com o a velocidade que ele agiu, estava muito claro que ele era um ótimo bombeiro...
A mulher estava desmaiada, eu ajudei o Erick a prestar os primeiros socorros e ao mesmo tempo liguei para ambulância já descrevendo o quadro de saúde da vitima... 
Tudo foi assustador para os que assistiam, mas assim que a ambulância a levou para o hospital as coisas retornaram para o normal da ocasião. Depois de umas horas teve  o culto e o enterro...
Eu e o Erick acompanhamos o Otávio em casa para confirmar que ele ficaria bom. Eu cheguei na recepção do apartamento as  quatro horas da tarde.
—Eu queria lhe agradecer por ter me acompanhando! _Ela falou feliz.
—Sempre que precisar é só me chamar! _Falei gentilmente.
Ele me abraçou, foi tão fofinho esse gesto.
Então sorri com sinceridade para lhe mostrei o quão feliz eu estava por ter sido sua companhia!
—Eu amo ver este sorriso. _Ele confessou antes de sair. 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

6 Erick: Favores


Erick: Favores!


—Aonde vai, Érica? _Perguntei á loira que ameaçava sair do apartamento.
—Vou viver minha vida! Bem longe de você... Você já foi à pessoa que eu amei, mas agora tu não passas de um “heróizinho” que só segue as regras! –Ela berrou.
— E quanto à criança?
— É minha filha e não sua! _Ela completa...
—Não vai! Por favor? _implorei.
 Ela veste um casaco e sai pela porta, minha vontade era de prendê-la, mas não é o certo a se fazer... Por que o certo é tão complicado?
Ai que ódio! Normalmente sei enfrentar meus sentimentos, porém nessa exata circunstancia a coisa está diferente, o mundo parece está desmoronando! Meu trabalho está me destruindo de dentro pra fora, me sinto regaçado! Todas as noites a cena do acidente que envolveu o namorado da filha da Carla atormenta minha mente, o rosto da mãe e a possa de sangue ao lado! Isso não é normal, todos os anos eu presencio circunstancia terríveis desde que me tornei bombeiro aos vinte anos, mas 2015 está terrível, não posso suportar!  E pra piorar eu e a Érica desacertamos de novo! Mas prefiro nem pensar nisso!
Pra esfriar minha mente liguei o som e o sintonizei no recital de violino, não estou no clima de ouvir um rock e muito menos pop! Depois de mergulhar nas notas musicas retirei a camisa... Coloquei o chuveiro no desligado para me esfriar! Assim que enfiei de corpo e alma debaixo da água que escorria pelo chuveiro meus problemas desapareceram, o som leve que saia do radio me acalmava com tamanha profundeza impossível de se explicar...
—Vida idiota, que só feri e machuca! –Berrei descontrolado, tudo que estava engasgado saiu!
Afinal, acho que não estou bem, agora que retomei a minha sã consciência reparei que pareci um doido gritando! É muita tonteira pra uma pessoa só!
Vesti uma bermuda jeans e deitei no sofá, hoje nós acabamos pegando o turno noturno, e isso é um saco, toda vez mal temos tempo pra respirar! São um caso atrás do outro!
Quando dei por mim acabei dormindo...
Horas 19h30min
Pude sentir uma sensação diferente, algo me fazia arrepiar, não era um sonho já que havia algo deslizado em meu corpo, mas especificamente no meu peitoral...
—Oi. Como você está? –Uma morena de olhos verdes perguntou.
— O que faz aqui, miss estresse? _perguntei curioso.
Ela parecia sem graça por ter sido pega no flagra, suas bochechas estavam rosadas de tanta vergonha.
—Ei, eu vim conferir como estava! Notei o silêncio e pensei que havia algo errado, afinal aquela briga não foi legal! _Ela respondeu muito séria.
—Então você ouviu?  _fiquei totalmente envergonhado.
—O prédio inteiro exceto o garotinho surdo do quinto andar ouviu! _tudo que pude pensar foi “Que vexame”!  
—Eu estou bem! Só tentei dormir um pouquinho antes do meu turno noturno! _Resmunguei.
—Então deveria se arrumar, pois já escureceu! _Ela alertou-me.  —E me desculpa por intrometer, eu só me preocupei com você!
—Eu agradeço pela preocupação, é bom saber que mesmo sendo praticamente insuportáveis com o outros você se importa comigo!
—Você também se importa comigo, lembra da noite que eu acordei gritando e você foi ver como eu estava, ou quando me salvou no incendio da universidade! –Relembrou-me.
—É uma boa ligação de vizinho, deve ser pelo fato de sermos um dos inquilinos mais velhos do prédio!  
Ela confirmou com um leve sorriso no rosto.
—Eu vou me arrumar, tenho que ir trabalhar...
—Tchau, seu chato... –despediu.
—Tchau miss estresse! _Pisquei rindo.
Vai entender essa crise de personalidade da Stella. Assim que ela saiu me levantei e vesti a farda cinza... As lombrigas roncavam na minha barriga alertando que era necessário comer...   Preparei apressado um sanduíche do restinho, ele funciona mais ou menos assim, você pega o resto de carne e Põe no pão depois pega todo tipo de enlatado desde ervilhas até azeitona e coloca, deposita também o resto de maionese do pote e por ultimo uma rodela de tomate uma folha de alface, assim você aproveita tudo e enche a pança. 
Peguei o elevador ainda comendo. Assim que passei pela recepção do prédio coloquei quatro reais na maquina pra comprar uma coca bem geladinha.
—Senhor Erick, seu aluguel venceu há dois dias... _Catarina avisou-me, com certeza ela apenas cumpria a ordem do dono. É tão horrível ser cobrado, dá uma vergonha, mas infelizmente meu misero salário ainda não saiu!
—Eu logo vou passar a grana! _respondi já correndo pra não me atrasar!
Minha camionete estava no mesmo esquema de sempre, uma sujeira precária, eu acho que já mencionei a preguiça que tenho de lavá-la e o pior é que nem grana eu tenho pra ir a um lava jato. 
Depois de trinta e sete minutos cheguei ao quartel. Nem todos haviam chegado, normalmente sempre tem um enrolado que se esqueceu de acordar, mas nem posso falar deles, pois se não fosse a Stella eu teria atrasado também!
—Erick é impressão minha ou você está ficando gordo.
—Não começa, eu sou muito mais gato que você, Otávio!
—Ainda bem que não se paga por sonhar!
—Idiota! _falei enquanto descia para a área de musculação.
—Eu vou junto... _Meu amigo anuncia, ela faz tudo para a minha tristeza.
Comecei alongando, mas logo iniciei o levantamento de peso! Eu não vou deixar o Otávio ganhar do meu físico, ele pode ser mais musculoso, mas é por pouco tempo.
—Cabo Erick, o capitão quer vê-lo! _Anuncio uma morena de cabelos lisos e pretos.  Que gata, ela é linda...
—Depois que parar de babar poderia me acompanhar... _Nossa que mico!
—Será um prazer senhorita.  _Respondi sem jeito enquanto o Otávio permanecia enfeitiçado.
Nós percorremos um lance de escadas sem trocar nenhuma palavra... Enjoado do silêncio decidiu perguntá-la:
—Você é a filha da Carla, Certo? –Perguntei no chute.
—Então conhece a doce e amorosa dona Carla! _Ela sorriu de si própria.
—Doce e amorosa? _Dei uma gargalhada.
Logo cheguei à sala do chefe Jorge, apenas acenei pra ela em sinal de despedida...
—Posso entrar senhor?  _Demonstrei educação.
—Lógico cabo! _Soou em um tom firme.
—O que se trata senhor? –Falei curioso.
—Não sei se recorda, mas avisei após o incêndio do poço fundo que haveria algumas mudanças.
—Sim, recordo! –Confirmei.
—Eu lhe promovo nesse exato momento a sargento... Andei te observando desde o começo do ano!
—Mas o quê vai acontecer com o outro sargento, desde que sei só pode ter dois e comigo serão três!
—Todas as corporações do CB (Corpo de Bombeiro) vão fechar pra economizar gastos, nós seremos os únicos de Brasília! Isso vai resultar em muitas transferências pra cá, dois sargentos não será mais suficiente então arrumei você pra ser o terceiro...
—Mas vai ficar muito corrido!
—Com certeza, mas tudo vai dar certo...      
—Eu fico felicíssimo com sua decisão! –Falei quase dando um troço por dentro...
—Não comente com ninguém ainda, certo Erick?
—Sim senhor! –Passei firmeza, o que foi estranho...
Pude senti as batidas eufóricas do coração que pulsa nesse peito!  Eu ia descer pra sala onde o pessoal está quando me deparo com o Otávio chorando no corredor!
—Ei meu chapa, o que houve? _perguntei preocupado.
—E-Ele, M-Mo... _Ele parecia sem palavras.
Tentei decifrar o código!
—Respira... Com calma! Agora fala! –Tentei o ajudar.
—Meu primo... Ele morreu!
Eu o abracei imediatamente! Essa dor de perda eu entendo muito bem e sei o quão difícil ela é!
—Ele era como um irmão para mim!
Eu fui até o chefe e expliquei a situação, imediatamente ele nos liberou. Eu compreendi o fato de não poder fechar o quartel, pois resultaria  em mais mortes de pessoas que precisavam de nós, mas deu-me autorização para que eu ajudasse o Otávio.
—Vamos pra casa... _Sugeri, o primo dele ainda estava no necrotério então de nada adiantaríamos ficar na igreja...
—Eu não quero voltar pra minha casa e relembrar dele, e não estou a fim de ouvir minha mãe chorando! –Explicou.
—Vamos pro meu apartamento, só precisa relaxar!
Assim que cheguei ao apartamento peguei um copo de água na geladeira e o servi. Nunca o presencie tão abalado como hoje, perder um ente é horrível, eu falo isso com experiência própria. 
—Eu não sei o que vou fazer... O meu primo sempre me ajudava, ele tinha um jeito sonhador de ver as coisas! _Ele desabafou.
—Com o tempo você vai seguir o seu rumo, as memórias de anos de convivência vão ficar gravadas em sua mente e isso é tudo, não há mais nada, mas as lembranças são suficientes...  _Contei calmo para que ele entendesse como seria daqui pra frente. —Lembre-se  eu sempre vou está aqui para te ajudar.
—Eu sei... Você é meu amigo do peito á cinco anos.
—E amigos do peito servem apenas para ser feito de escravo, então fique a vontade para escravizar esse idiota que permanece em sua frente... _Falei rindo.
O Otávio acabou cochilando no sofá de couro mais velho que minha vovó...
4 horas e 10 minutos.  
—Otávio, seu pai veio te buscar... _O acordei.
—O corpo chegou à igreja? _Ele perguntou desnorteado. 
—Me parece que sim... Eu peguei o endereço, eu vou pra lá assim que resolver algumas coisas aqui...
Ele assistiu e foi para a porta do prédio aonde o pai dele se encontrava...
Eu banhei na água quente e me arrumei... Eu sei que quanto mais tempo eu deixar ele sozinho é um problema, mas eu realmente preciso de um tempo para descansar antes da correria do novo dia...
Deitei na cama enorme de casal no meu quarto e tudo que conseguir foi ficar preocupado com a Érica, aquela loira é tudo na minha vida, mesmo ela não assumindo que me ama, eu não posso deixa-la sozinha a mercê do mundo!
Agoniado peguei  o telefone e disquei o numero da garota... Chamou até entrar na caixa postal.
—Oi Loirinha, espero que esteja tudo bem com você e com o bebê. Não fique longe de mim, eu preciso de você! Por favor, eu te amo... Me retorna assim que poder...
Depois que me arrumei, fiquei pensando em como é um velório, aquele clima tenso e fúnebre, as pessoas querendo conversar, com certeza eu vou precisar de uma acompanhante... Repassei em minha mente todas as garotas ideais para esse evento terrível mais nenhuma se encaixou... Pensei até mesmo na filha da Carla, então lembrei que existe alguém muito esperta e boa de assunto, do tipo que é inteligente e não fala bobeira, a Stella era ideal para esse evento...
Foi com essa intenção que me fez bater na porta de seu apartamento as cinco da manhã... Meia hora depois uma morena branquela atendeu   a porta com a maior cara de sono...
—Preciso de você? _Falei todo meigo.
—Affs, que novidade! Por que precisa me acordar nesse horário? Hoje é sábado... _Ela resmungou.
Foi ai que observei o seu pijama de florzinha curto e estranho! Não era nada sexy , mas ficava até bonitinho! 
—Preciso que me acompanhe em um velório! Acredite, não pediria se não fosse de extrema importância...
Ela absorveu à ideia primeiro.
—Meus pêsames... Mas eu nem conheço o morto! _Ela falou sem graça.
—Nem eu, ele era primo do meu amigo... Eu queria sua companhia porque você sabe ser conveniente quando se deve!
Os olhos delas diziam que seria um prazer realizar este favor. No fundo ela é bem bondosa. E como o previsto aceitou o pedido... 

—Espere, eu vou me arrumar! _Avisou-me enquanto foi se trocar... 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

5 STELLA: Elevador!

Stella: Elevador.

—Eu não vou!/ Quantas vezes tenho que te falar!/ Não grita comigo sua égua!/ É, sou mesmo uma Nerd encalhada! E o problema é seu ou meu?/ É bom calar a boca mesmo! _A Laura desligou o celular.
Ela me dá nos nervos, afinal quem ela pensa que é? Ninguém grita comigo! Eu não dou esse direito aos amigos!
—Nossa! Começou sedo, em miss estresse! _Erick tira sarro da minha paciência.
—Maldito elevador! _Resmungo — Hoje não é um bom dia pra me atormenta, viu Erick! –O alertei.
—Sempre é um bom dia! Eu não deixo esse seu mau humor me afetar! _Ele pisca sorrindo.
Era apenas seis e meia e a Laura mais o Erick conseguiram me irrita completamente! Eu não entendo por que todo o dia tenho que pegar o mesmo elevador, no mesmo horário!
Tudo estava indo sobe o limite extremo quando as luzes apagam!
—Ai que droga! _O Erick berra metendo o soco na porta.
—Também está estressadinho bebê, não me vai dizer que tem medinho de escuro? _O azucrinei pra me vingar.
—Se você não percebeu, a energia acabou com nós no elevador! Eu vou me atrasar e você também! _Ele explica irritado.
—Eu não sou idiota! Eu sei muito bem, mas o que realmente me preocupa é o fato de te tolerar por esse tempo! _ Dei uma gargalhada esganiçadas!
—Isso não é hora pra senso de humor! –Ele parecia mesmo chateado.
—Sempre é! _Conclui
Ele me encarou com um ódio mortal, mas depois de um tempo relaxou a face.
—Aprendeu rápido! _Comentou.
Eu me sentei no chão, não era possível ver nossas siluetas devido o escuro, espero que quando a energia retornar ainda dê para que eu pegue as aulas da tarde!
—O que acha de conversarmos!
—Não é a pior opção! Quem começa com as perguntas?
—Eu, quantos namorados teve? –Ele fez uma cara muito idiota que não dá pra descrever!
—Um...
—Nossa você é tão sem sal assim? –Ele pareceu surpreso.   
—Minha vez, com quantas mulheres você já dormiu? _O deixei sem graça.
—Que eu me lembre dez... _Ele fez uma expressão de como se fosse poucas! Talvez pra uma galinha seja, mas pra mim é um absurdo!
—Qual é o seu maior vicio?
Pensei um pouquinho...
—É o café. Eu tomo em torno de 15 xícaras por dia!
—Seu sangue é pura cafeína! Caramba!
—O que mais gosta de fazer nas horas vagas? _continuei na ordem das perguntas
—Tocar, amo tudo que envolva som!
A conversa estava até interessante quando a energia voltou! Havia um tanto de gente no primeiro andar preocupado com nós! Assim que saímos me dei de cara com o corpo de bombeiro!
—E ai, Erick? Você achou que nós íamos te deixar faltar serviço bem no dia de lavar os banheiros!  -Um cara branco de cabelos escuros e com um peitoral bem destacado falou enquanto ia em direção ao Erick para abraçá-lo! 
—Otávio, seu imbecil! _Ele retribui...
—Stella, minha amiga, eu fiquei tão preocupada! –Laura se joga em meus braços.
—Você não deveria está na faculdade? –Perguntei.
—Eu tive medo que algo lhe ocorresse enquanto estávamos brigadas, então decidir passar aqui pra irmos juntas, assim que cheguei me informaram que você estava presa no elevador!
Eu acho incrível o que o peso de consciência faz com uma pessoa!
—Eu te amo! _Falei pra acalmá-la...
Nós duas desviamos do tumultuo causado pela equipe de bombeiro que ajudou a concertar o elevador, acreditam eu e Erick ficamos presos uma hora e não percebemos...
—Como não podemos entra no turno matutino devido o atraso, o que me diz de irmos ao shopping? –Laura sugeriu.
Eu não gostei muito da idéia, afinal minhas contas estão vindo um absurdo, meus pais vão falir dessa maneira! Mas a Laura parecia tão empolgada com a idéia que foi impossível recusar!
—Eu vou pegar carona com você! _Se acha que vou gastar combustível está muito enganada!
Nós saímos no Ford kA vermelho dela, não é “Ô Carro”, mas está quitado, é bem feminino e fofinho...
—Eu preciso de uma capinha nova e de batom... –Laura avisa empolgada. É lógico que no final vamos compra muito mais!
—Somos sós nós duas passarmos na Avon, li na revista que estaria com promoção de cosméticos! 
—Eu só posso está sonhando! Você ligada pra beleza? –Ela fez uma cara de pasma.
—Eu curto beleza e moda, só não tenho paciência de me arrumar! Não se esqueça que também sou mulher, Laura. _Falei chateada.
Todos os meus amigos me conheceram assim que me mudei para Brasília, isso é chato, pois eles não conseguem ver meu lado extrovertido e feminino! Minha mãe me alertou isso há alguns anos atrás, ela me disse que quando estou determinada a adquirir algo, minha personalidade se altera, eu fico rígida e estressada, normalmente perco os prazeres que o mundo pode oferecer! 
O som do carro estava chiando pra Caramba... Odeio barulhos, para melhorar o soquei tudo que não presta conserta na base da pancada...
—Por que fez isso? _Laura parecia irritada!
—Você não ouviu esse chiado insuportável? _Usei de ironia!
—Era só sintonizar na radio! Olha o quê fez? Deve-me um novo!  
Bem, pelo visto não se resolva na base da pancada! Olhei novamente pro aparelho e vi o estrago que fiz nos botões!
Assim que chegamos, a primeira atitude foi visualizar uma boa vaga pra estacionar!
30 MINUTOS DEPOIS
Eu não gostei do passeio, no meu ver foi ridículo! A Laura ficou meia hora conversando com um play boy exibido que conhecemos no “MC Donald”, depois me transformei em uma porta compras, aquela garota é viciada em roupas, se vissem os micros vestido que ela comprou ficariam pasmos, ou melhor, petrificados...  E mal tomei o meu Milk Shake direito e tivemos que ir pra faculdade, isso sem mencionar o novo rádio que comprei pra substituir o que quebrei os botões!
Falando sério, prefiro mil vezes ficar presa no elevador com o Erick do quê suportar a Laura por uma hora...


 Na Faculdade
—Oi minhas gatinhas! Onde passaram a manhã?  -O Bruno perguntou interessado.
—Na porcaria do shopping, suportando a Laura fazer compras! –Respondi nervosa.
—Affs, a culpa não é minha por sua falta de feminilidade! –Laura retrucou.
O Bruno revirou os olhos, ele me entende, todos sabem como a Laura é chata...
—Dessa vez ela conseguiu ficar sem paquerar alguém?
—Não, foi como sempre...
Ele pareceu satisfeito com a resposta, lógico que no fundo é só uma mascara, eu tenho certeza que ele a ama só não assume!  O Bruno não demonstra sentimento algum, exceto a amizade, mas essa não conta! Como a Laura mexeu com e ele e o porquê são desconhecidos por minha mente...
Não ficamos muito unidos, a Laura mudou a grade de horário então não seria as mesmas aulas, e o Bruno preferiu se isolar no canto da parede... As matérias foram como sempre, interessantes e cansativas! 
Já no apartamento
Assim que cheguei retirei o sutiã que incomoda de mais! Coloquei água no fogo para um cafezinho e me joguei no sofá para assistir doutor house... O sol continuava quente... Meu dia foi um saco, mas o que importa é o aprendizado...
O café ficou pronto depois de quinze minutos, eu levei a garrafa para a sala e continuei a assistir enquanto bebia aquele liquido gostoso!
Estava tudo indo bem até o telefonema...
—Alô/ Diz logo!/ Eu não quero ir nesta festinha/ Eu odeio sair.../ Não vai adiantar nada você vir aqui!
Será que ela não desistiu de querer me levar pra uma festa... Lá só tem bebida e um bando de macaco suado dançando!

Depois de vinte minutos ouço uma batida estrondosa na porta, ao abri-la dei de cara com aquela idiota e mais dez pessoas na porta do meu apartamento!
—O que você quer Laura? _falei nervosa enquanto observa os outros.
—Quero que faça companhia para ele! Sabe como é ele está solitário! _Ela falou fazendo biquinho enquanto um projeto de homem apalpava sua bunda sem que ela se importasse.
—Eu não sou uma puta igual você, agora vasa da minha casa! Você não tem essa liberdade comigo! _Gritei.
—Já entendemos gata! _Um pervertido de meia tigela todo tatuado falou.
Ele me encostou-se ao portal e passou a mão em minha cintura, enquanto os outros davam risinhos! Não pensei três vezes e acertei um tapa na cara dele e fechei a porta... Definitivamente minha amizade mais a da Laura acabou! 

Eu voltei pra sala, eu não conseguiu processar o que acabara de acontecer. Sem querer acabei cochilando no sofá...
Infelizmente meu sono foi despertado por um som altíssimo, eu não consigo acredita que o Erick está escutando rap em plena seis horas da tarde! 
Essa tormenta continuou até as duas da manhã, e não foi porque ele desligou não, o que ocorreu foi inacreditável... A Laura me ligou no meio da madrugada pedindo que eu a buscasse na porta de um motel e levassem um conjuntinho de roupa... Fiquei horrorizado... Acabei indo, ela precisava de mim!
Liguei a moto e fui para o endereço, ao chegar lá me deparo com uma morena descabelada de calcinha e sutiã sorrindo e acenando para os homens que a cercavam!
—Você é idiota! O quê pensa que está fazendo nesse estado? –Briguei.
—Cale a boca e só me leva pra casa! _Ela respondeu grosseira...
Minha vontade foi de arremessá-la na parede, mas apenas vesti uma roupa descente a ajudei a subir na garupa da moto!

A levei para casa e retornei para meu apartamento, felizmente o som havia sido desligado! 

terça-feira, 2 de junho de 2015

4 Erick: Amizade é mais do que sorrisos!




A cena do incidente na qual a mãe foi morta finalmente deixou de me atormentar, como todos os outros casos terríveis que presencio as cenas simplesmente se tornaram comuns, esse seria mais uma situação na qual vou levar para sempre gravada na memória!
Quanto os vizinhos continua a mesma coisa divertida de sempre, o velhinho pedindo para que eu concerte a mobília antiga, a Stella estressada como um leão que está pronto pra descontar na primeira vitima que aparecer! E o resto apenas me ignorando! Esse prédio é fantástico!
—Gatinho, lamento te informar, mas se não correr vai se atrasar! –Érica se despede com um abraço.
—Te amo Loira! –Fiz carinho em sua face delicada. Depois me despedi da Elly. Esse foi o nome que escolhemos pra bebê que vai nascer daqui seis meses!    
 Desci a escadaria apressado ao perceber que estou quinze minutos atrasado, meu chefe dessa vez me despede! Eu sei que o elevado é mais rápido, porém não estou a fim de ouvir a Stella com o mesmo papo de ética e moral! Falando muito sério, estou praticamente desabafando aqui, aquela mulher cansa qualquer um!

Chegando ao estacionamento observei que  minha camionete era o único veiculo  que estava quase criando vida e correndo sozinha para um lava-jato. Eu não tenho culpa se a preguiça me impede de lavá-la.
A caminho do quartel o alarme de incêndio toca. O som dá aquela descrença na minha pessoa. Liguei o transmissor e localizei o local do incidente. Na tela pedia que todas as unidades fossem para lá. Coloquei o mais rápido possível a sirene no teto. Essa é a melhor parte, todos os veículos abrem passagem. Certa vez a liguei para chegar mais de pressa no shopping, funcionou só que meu superior descobriu, resultado uma multa de 700 reais. Só posso dizer que nunca mais fiz tal coisa.
O local do incêndio era ao lado do poço fundo. Quem pensa que o nome é só porque tem muitas cisternas, está enganado. Esta área era considerada rica em minério, sendo ai organizado varias escavações, não sei se encontraram algo, mas os buracos estão ai. Se você cair é morte instantânea!
—Erick, chegou bem na hora! –Otávio falou me cumprimentando.
—Você trouxe mascara de oxigênio sobrando? As minhas acabaram.
—Tem no porta-luvas do caminhão!
Depois de me vestir adequado me apresentei na fila de minha unidade, o corpo de bombeiro de Brasília era um dos mais numerosos. O meu capitão tem na faixa etária de 48 anos, não digo que é fácil de suportar, mas não existe outro melhor que ele nas redondezas.
—Existem no mínimo 500 pessoas presas nestes 15 galpões, o dever de vocês é as salvarem! –ele gritou com uma voz firme para os seus liderados.
—Sim senhor! –bradamos em um coro.
Eu e Otávio corremos para o quinto galpão. Conferimos se as mascaras funcionavam. As portas estavam emperradas. Elas eram antigas e gigantescas. Para abrirmos utilizamos uma marreta, o que não abre nós quebramos!  O plano funcionou. Logo ela desabou juntamente com os portais e o resto de madeira podre.
A fumaça forte nos impedia de ver no quê pisávamos. Andei apressado, a procura de algum corpo! Liguei  a lanterna do capacete, possibilitando um pequeno feixe de luz.
O fogo dava uma pequena trégua, provavelmente as outras unidades desempenhavam o papel de apagá-lo.
_Erick, encontrei um pessoal aqui! –Meu amigo avisou.
_Calma que já estou indo.
O teto começou a desabar. Eu deitei-me em cima de um pessoal para impedir que caísse neles, pedaços de madeira.
Depois peguei quatro adolescentes e os levei para fora. Chegando lá notei que Otávio tinha pegado seis! Mas pelo tanto que tinha esparramado era menos da metade.
— Larga de moleza, Erick! Só conseguiu salvar estes! Seu molenga! –Zoou de mim.
—Vai se ferra! Idiota!
Depois de pararmos a discussão pedimos reforço! Enquanto isso, lá fora a equipe de paramédico davam seu melhor, havia vitimas de queimaduras, outros com falta de ar, cortes e muito mais!
 Dessa vez corri para o outro lado. Pude notar alguém pedindo por socorro!
Era uma mulher com mais sete idosos.
—Vocês conseguem ir andando? –perguntei.
Eles balançaram a cabeça em um sinal positivo. Para evitar mais queimaduras entreguei uma capa a eles. A mulher não teve resistência desmaiando. Eu a envolvi em meus braços. Outros idosos se apoiaram em meus ombros. Já na saída ela retornou a consciência.
—Meu herói! – sussurrou em meus ouvidos.
—Que isso! Esse é apenas o meu trabalho senhorita! –Ela me ignorou, em seguida me deu um selinho e foi para a fila pra ser socorrida.
Eu senti orgulho ao saber que todos foram salvos, então ouvi novamente um pedido de socorro. Desta vez foi diferente, não era alguém desconhecido. Sabendo eu que minha roupa não teria resistência para enfrentar as chamas pela terceira vez corri em direção à voz. Eu poderia morrer, mas meu amigo não ficaria ali...
Otávio? Onde está você? –perguntei desesperado.
—Olha para baixo seu babaca... –ouvi
Ele realmente estava do meu lado no centro do galpão, uma coluna de ferro com concreto havia caído em cima de sua barriga o impedindo de sair! Eu me ajoelhei para tentar a levantar!
—Você não pode fazer isso sozinho, é muito pesado!
—Não há tempo! Logo vai desabar!
—Então se salva!
—Sem você nunca!
Eu insisto na tentativa de levantar sozinho. Minha costa estava queimando, a roupa já derreteu.
—Otavio Da pra me ajudar a levantar!
—Lamento te informar, mas e impossível!
Senti algo escorrendo no meu corpo, passei a mão na parte de trás.
—Erick o que é isso? _meu amigo fala ao perceber o que havia saído algo em minha mão!
—É apenas sangue!
—Sai logo daqui enquanto a tempo!
—Nunca se abandona um amigo!
Então o galpão cinco desabou!
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40 minutos depois
—Você é um idiota Erick! –O Otávio me falou.
—E você é um ingrato. –resmunguei.
—Calem garotos! Vocês dois nos passaram um susto! –O chefe Jorge.
Ainda bem que a capa do Otávio ainda esta com ele! –A medica que cuidava de nossas queimaduras falou.
Depois de todos os feridos e mortos serem levados para o hospital nós nos assentamos em circulo para ouvirmos os lideres de equipe, foi decidido que posaremos aqui para obtermos resistência, mesmo cansados e feridos.
Havia uma ruiva em outra equipe muito engraçada, ela fazia malabarismo com uma mão enquanto dançava samba. Alguns a condenavam dizendo que era doida, mas eu a entendo é uma forma de se divertir em meio a tanta destruição.

Então me levantei e ajuntei-me a ela dançando Street dance, o pessoal começou a se unir a nós fazendo graça. Um dos capitães, pois o carro dele mais perto e tocou um som bem divertido. E assim nos divertimos até escurecer.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

3 STELLA: Sonho ou realidade?


O som da batida ecoava em toda a sala me fazendo pirar! O ritmo cardíaco prevalecia intacto. O que gerou a hemorragia interna nós não sabemos! A paciente apresentava estar sadia o que era contraditório com os exames feitos no laboratório de total confiança do hospital.
Ficamos indecisos no que fazer! Não tínhamos noção do que ocorria! Será que foi falta de preparo? Ou culpa minha por não saber liderar a equipe?
A paciente não apresentou nenhuma anomalia novamente então demos alta sem nenhum medicamento.
Uma semana depois ela veio a óbito, com absoluta certeza carregaremos um processo nas costas!
Mas o terrível não é a consciência pesada de nós os médicos que trabalharam no caso e sim a dor de uma família!
A mãe da paciente gritou desesperada. Nem mesmo os seguranças a fez calar!
—Stella! Stella! Stella! -Ao acordar me deparo com um par de olhos azuis assustados me encarando!
Meu corpo não sabia o que acorreu. O que duas pessoas estavam fazendo no meu quarto era um mistério! De primeiro pensei que fosse um sonho, mas o Erick retornou a me chamar meio apavorado!
—Você está bem? Responde-me? Quem morreu?
—Como ousam entrar no meu quarto á meia noite? E quem é essa loira ridícula! –Vocifero.
— Cuidado com o modo de tratar as pessoas que tentou salvar sua vida! Nós dois fomos os únicos que veio correndo ao ouvir seus berros! –Erick demonstra indignação na voz!
Simplesmente ignorei a fala e continuei...
— Aonde conseguiu a chave para entra?
— Você deixou debaixo do vasinho de planta! A propósito é melhor mudar de esconderijo, pois todos do prédio sabem onde é!
Não vejo uma invasão de privacidade desta maneira desde que os alienígenas invadiram a terra! Ah, espere ai, eles não invadiram! Ninguém pode invadir a casa do vizinho e o acordar!
—Vieram por bobeira! E não peguem a chave reserva do meu apartamento sem antes me consultar, ouviram?!
Não sei como ainda moro aqui! Eu odeio o Erick. Qualquer um em sã consciência teria mudado!
Eu me ponho de pé e os acompanho até a porta!
Eu realmente compreendo o lula molusco! Ter vizinhos é horrível! Tomara que ao iniciar minha carreira médica tenha que morar em nenhuma casa ou apartamento! Prefiro ficar na selva!
Depois de voltar para meu ninho de cobertas, relaxo até pegar no sono novamente! Estava quentinho e aconchegante...
O fim de tarde era tranquilo na área de feridos do Chile. As equipes de socorros acabaram de retornar com as ultimas vitimas que estavam nos escombros... Os quinze brasileiros permaneciam inconscientes...
A imagem perde o foco alterando a paisagem de um acampamento para uma arena desmoronada na qual uma mulher de cabelos castanhos e olhos verdes conversava com um loiro forte.
Eles riam... Após segundos ele a pega no colo. A felicidade no rosto do casal por estarem vivos era notória... Os dois se abraçam até que o homem toma a iniciativa e deposita um selinho nos lábios da mulher!
Isso não está acontecendo comigo! Por que minha mente não sossega! Eu não devo sonhar com meu vizinho, caramba! Mas que selinho! Eu devo estar maluca para fica sonhando com esse idiota! Essa noite esta indo de mal a pior!
Meio estressada por culpa dos sonhos me levanto e vou até a cozinha que mais parece um corredor com comida... Eu sempre gostei de café, a cafeína para mim é igual à maconha para um drogado!
A água já fervia no fogão então para esperar busquei em minha escrivaninha a bíblia. Fazia tempo que não a lia, com tanto conteúdo para estudar é quase impossível ter tempo para á fé!
Minha passagem preferia é em João 3; 16 onde diz:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna...
O café ficou pronto depois de alguns minutos. Eu realmente tenho um dom para fazê-lo, isso é consolador, se não consegui me formar em medicina poderei trabalhar em uma cafeteria...
Eu já havia lido alguns capítulos então repousei no sofá enquanto saboreava um bolo de chocolate que eu mesma havia feito na parte da tarde...
Aos poucos minhas pálpebras foram se ajuntando e quando dei por mim estava novamente em um sonho!
Meus olhos brilhavam ao ver pela tela de um notebook uma criança de olhos claros e cabelos ondulados loiríssimo, a menina se parecia muito com o pai, porem tinha os traços faciais da mãe no caso eu... Ela dizia que me amava no vídeo... Então do nada recebo a noticia de que o Erick não conseguiu retornar da missão! Fiquei assombrada com o fato! Ele sempre volta! O meu marido é o homem mais cuidadoso! Ele não podia morrer!
Eu corro para o nada em busca da verdade mais não a vejo, eu realmente fiquei só! Tudo que temi desde o principio mesmo não assumindo era a solidão!
O que seria de mim? O que seria da minha filha?
Ai que merda! Foi a pior noite da minha vida! Por que o meu cérebro me castigou desta maneira? Eu não tenho medo de ficar sozinha. Seu sonho idiota!
Já são quatro da manhã o que é algo bom, não estou a fim de ter mais uma ilusão de futuro com aquele vizinho idiota!
Logo que tomei coragem fui tomar um banho. Digamos que eu sou do tipo gato escaldado que tem medo da água fria por isso banhei no modo invernos, á água estava até saindo fumaça!
Toc, toc, toc!
—Quem me incomoda? –Grito.
—Abre logo essa porcaria! –Responde do lado de fora.
Eu me enrolo na toalha e vou abrir a porta, ao sair para fora do banheiro observo que já amanheceu. Eu fiquei provavelmente uma hora e meia no banho. Não se assustem nem pensem que sou uma desperdiçadora, eu só demoro desta maneira quando tem que depilar e lavar a cabeça.
Assim que abri a porta vejo o Erick uniformizado. Foi de perder o ar! Aquela farda com distintivo de cabo o deixa irresistível!
—Como foi à noite. Espero que tenha sonhado comigo! – Acho que ele é vidente.
—Eu sonhei com anjos e não com demônios! –Para sua informação me arrependi um segundo depois das palavras que usei para me expressar!
—Você é mais bonita de toalha sabia! E seria mais ainda sem ela!
Eu me segurei para não cometer um assassinato, eu realmente não fiz tal ação por pena da minha alma, eu não á quero no inferno!
—Entra! Eu vou me vestir! Espere quieto! E não mexa em nada!
Ao me vestir coloquei os óculos de grau e fui para a sala.
—Pedi para não mexer em nada é a mesma coisa que dizer veja minhas fotos!
Aquele descarado confirmou com a cabeça!
—O que veio fazer aqui novamente?
—Ver como você está? Eu pensei que alguém da sua família morreu pelo que você gritou!
—Ninguém morreu! E o que eu gritei? –Confesso que estava curiosa para saber já que não me recordava.
—Porque ela morreu! Não! Não! Não! -ele deu gargalhadas assim que terminou de imitar minha voz!
Foi ai que me lembrei do sonho. Aquela sensação de falha percorreu meu corpo, ao me recordar de que eu era a líder da equipe que deixou a paciente falecer!
Minha cabeça tombou para baixo e meus olhos foram dominados pelas lagrimas! Eu não quero falhar!
—Se você não quer pensar nisso tudo bem! –Ele falou calmo percebendo minha reação.
Eu fui preparar um lanche para satisfazermos o estomago!
— O que mais você quer? –Eu pergunto desconfiada.
Se fosse só pra saber como eu estava provavelmente ele teria ido embora!
—Me leva no quartel hoje! É caminho da Universidade! A caminhonete não quer dar partida! –Ele fez a mesma cara do gatinho do Shrek.
—Está bem! –Ele mereceu, afinal mesmo tendo invadido meu apartamento foi para meu bem estar.

Assim que lanchamos fomos para o estacionamento! Eu deixei bem claro que eu dirigiria já que a moto é minha! E também mandei segurar atrás, não aceito mão de ninguém em minha cintura!