Pesquisar este blog

segunda-feira, 22 de junho de 2015

7 Stella: Encontro no velório?

Encontro no velório?


Até parece ser engraçado ser convidada para um velório de alguém que você nunca viu, mas foi isso que o Erick fez, devo confessar que ele deveria estar mesmo precisando, pois me chamar pra ser sua companhia é um “MILAGRE”... Achei fofinho o que ele falou a respeito de eu ser uma pessoa boa de prosa, bem, foi isso o que eu entendi com suas palavras desesperadas...
Eu poço não ligar muito pro que vestir, mas nessa situação deve se tomar muito cuidado, não se pode usar preto, pois você não tinha intimidade com o defunto para que esteja de luto, ficaria muito falso e nada de amarelo ou rosa Pink, pois você vai passar felicidade e essa literalmente não é a intenção!
Depois de muito tempo escolhi uma camisa branca e uma saia justa beije, não ficou nada chamativo e nem vulgar...
—O que acha? _Perguntei dando uma voltinha.
—Tenho certeza que nenhum homem vai assoviar para você. Mas está até legal.
—Sei... _Acabei sorrindo da sua falta de entusiasmo com meu look.
—O que acha de irmos? _Ele propões.
—Espere, preciso passar um batom. _Falei já no banheiro, o espelho do armário acima do lavatório é o melhor do apartamento.
Depois de já estar pronta peguei uma bolsa antiga mais conservada, eu sou do tipo de mulher que só anda de moto então minhas coisas normalmente ficam na mochila de costa...
—Olha, eu acho que o meu amigo Otávio vai estar na pior! _Ele olhou-me serio e pensativo.
—E? _Esperei que ele completasse o recado.
—Imagino que teremos que o consolar, é só pra você não se assustar...
Continuamos a conversa sobre esse tal amigo, eu tinha que no mínimo saber mais ou menos sobre ele, então passamos o percurso quase todo com a conversa em torno deste assunto, observei que Erick e o tal Otávio eram bem próximos...
De repente surgiu uma duvida em minha cabeça...
—Erick, como você vai me apresentar para a família? _Ele resmungou algo baixo e inaudível, provavelmente ele estava com a cabeça no mundo da lua.
Isso era preocupante, afinal estamos falando de mim...
Depois de quarenta minutos chegamos... A igreja era pequena... Levantei o rosto pra fora da janela e observei a denominação do local, de acordo com o outdoor era uma assembleia de Deus... Isso não importava, mas é bom ler tudo aonde você vai...
—Me dê sua mão... _Ele parecia sério, algo o atormentava, faz meia hora que ele não diz nada obseno ou arrogante...
Apenas dei minha mão a ele, era como se eu não devesse desobedecer!
—Bom dia senhor..._Ele cumprimentou o porteiro.  Eu apenas o imitei...
—Sabe que pensando bem você está muito gata! _Ele falou sorrindo discretamente enquanto avaliava as mulheres de vestidos longos e pretos com a maquiagem toda borrada.
—Seu idiota! _Retruquei.
Nós caminhamos até uma família que conversavam tristemente em um banco da igreja.
—Bom dia pessoal, como vocês estão? _Ele perguntou.
—Já estivemos dias melhores. _Um deles respondeu.
Para não parecer mal educada acenei.
—Eu vou te levar até a família do Otávio, eles que criavam o jovem que morreu...   _Sussurrou em meu ouvido.
Caminhamos lentamente, pude notar uns olhares em minha direção... Talvez eu não tenha escolhido a melhor roupa...
—Oi senhor e senhora Vieira... Como estão agora?_Ele fala os abraçando.
—Não sei descrever rapaz, mas a ficha da perda caiu. Agora já aceitamos o fato de ser ele mesmo ali naquele caixão. _A mulher já de idade fala baixo com a voz falha, devido o choro que insistia em escorrer.
—Podem contar comigo no quê precisarem. _Me ofereci.
—Que garota linda, você é a nova namorada do Erick...
Eu fiquei sem jeito e muito sem graça.
—Querida hoje em dia as coisas são diferente, eles são apenas ficantes como o Otávio diz! _O senhor explicou.
—Na verdade somos apenas amigos. _Falei rápido tentando me justificar!
—É aquele lance amizade colorida! Vocês dois não são capazes de compreender! _Um homem forte com um belo sorriso se aproximou intrometendo no assunto!
Erick sorriu verdadeiro e abraçou o homem que deduzir ser o tal Otávio.
—Meu amigo essa é minha vizinha. _Ele me apresentou. O homem confirmou com a cabeça e beijou minha mão fazendo graça pra descontrair.
—Então você é a tão falada miss estresse! _Ele perguntou rindo por saber que colocou o amigo na maior enrascada.
—Prefiro ser chamada de Stella, mas sou eu sim! E você deve ser o louco!
—Porque louco?
—Pra ser amigo do Erick tem que ser louco!
O homem loiro de olhos verde parecia irritado com nossa aproximação. Afinal falávamos dele.
—Então você gosta de ser uma afinal também é amiga dele!
—É, você me pegou...
Depois das apresentações os rapazes saíram, eu acho que o homem do sorriso lindo queria desabafar, ele parecia alegre, porém era uma mascara e se você olhasse no fundo de seus olhos era capaz de enxergar a magoa e o desespero... 
—Oi, meu nome é Liza... _Uma loira de cabelos enormes se apresentou.
—É um prazer conhecê-la, Liza. Você era parente do garoto? _Perguntei curiosa.
—Não, meu marido foi contratado para tocar no velório! _Ela falou apontando para um homem de semblante gentil.
—Você me parece deslocada? _Concluiu ela.
—E estou, meu amigo pediu minha companhia e teve que se retirar por alguns segundos! _Expliquei.
—Aquela garota parece atordoada! _Ela me mostrou discretamente para que ninguém percebesse.
Liza tinha razão, uma morena baixinha se arranhava freneticamente com a unha  e parecia descontrolada...
—Eu vou até lá... _falou decidida.
—Mas você nem a conhece! _Me espantei.
—Deus vai me ajuda. _Ela já se direcionou ao banco onde a garota estava. Eu pelo contrario fiquei mais afastada apenas a observando.
—Qual é o seu nome, flor?
A garota respondeu em um tom inaudível.
—O quê se passa neste seu coração? _Ela falou apontando pro peito da garota.
—Ele era tudo pra mim...
—Eu sei, é possível perceber o amor que você sente apenas no olhar...
—Ele me abandonou! _Ela iniciou uma nova cessão de lágrimas. 
—As pessoas não nos abandonam quando morrem...
—Mentira, eu nunca vou seguir em frente...
—Vai sim, eu tinha mais ou menos sua idade quando sofremos um acidente de carro, meu pai, minha mãe e o meu namorado Carlos morreu! Pensei que tudo tinha acabado. Foi difícil ter que enfrentar a perca e ainda sustentar minha irmã Bia, mas consegui...
—E hoje você é feliz?
—Lógico. Deus colocou na minha vida um cara muito especial chamado Caio e realizou os meus sonhos e de minha irmã, tudo que restou das pessoas que se foram foi à lembrança de que eles foram reais e que eu os amei pra valer. E hoje sei que essas lembranças são o suficiente!     
—Então o segredo é confiar em Deus e seguir em frente?
—Sim, e jamais se perca ou deixe a magoa te dominar!
Elas se abraçaram e Liza retornou a mim.
Ela parecia orgulhosa por reconfortar a garota que certamente era namorada do defunto que não sei o nome.
—Veja, meu marido vai tocar...
Em questão de segundos um som calmo dominou o ambiente tornando tudo mais tranqüilo...   Logo o Erick retornou e pediu desculpa por ter me deixado sozinha... A Liza foi fazer companhia ao marido nos deixando a sós.
—Como o Otávio está? _Perguntei preocupada.
— Não gostei de todo esse interesse por aquele tapado! _Ele cobrou ciúmes.
—Você não tem direito de reclamar de nada, e o seu amigo é bem interessante...  _Falei pra azucrinar ele.
—Pena que você não faz o tipo dele, não  é mesmo miss estresse? _Aquele idiota fez uma cara debochada.
Tudo continuava naquele clima tenso e triste, afinal estávamos no velório.
—Ele está com um semblante agonizado! _Erick cochichou em meus ouvidos.
—Talvez ele tenha ido para o inferno! _Falei baixinho.
—Você não sabe! Deus ensinou a não julgar alguém pela aparência!
—Mas foi só um comentário, aliás, olha quem fala, o cara mais galinha do prédio!
—E você julgando de novo! Eu acho que sua situação é mais precária do quê a minha!
—Pelo menos eu frequento a igreja e leio a bíblia! _Bufei estressada.
—E quem disse que eu não? _Ele fez aquela cara sínica que faz o meu sangue ferver!
Será que ele tem razão? Eu não faço um julgamento precipitado! Ou melhor eu não faço um julgamento!
Eu continuava a me questionar quando uma senhora entrou pelo corredor central da igreja...
—Meu netinho! _Gritou apavorada!
—Calma mãe...
—Por que você não me avisou antes! _Ela parecia indignada.
A mulher caminhou até o caixão e desabou em lagrimas, ele parecia não se conformar com o fato de o neto mais novo morrer...
—Ele tinha apenas  16 anos... Por que o levou, Deus? –O seu estado dava até medo.
A situação continuou assim até que ela começou a cambalear desorientada, o Erick correu até ela á tempo de ampará-la em seus braços, fiquei encabulada com o a velocidade que ele agiu, estava muito claro que ele era um ótimo bombeiro...
A mulher estava desmaiada, eu ajudei o Erick a prestar os primeiros socorros e ao mesmo tempo liguei para ambulância já descrevendo o quadro de saúde da vitima... 
Tudo foi assustador para os que assistiam, mas assim que a ambulância a levou para o hospital as coisas retornaram para o normal da ocasião. Depois de umas horas teve  o culto e o enterro...
Eu e o Erick acompanhamos o Otávio em casa para confirmar que ele ficaria bom. Eu cheguei na recepção do apartamento as  quatro horas da tarde.
—Eu queria lhe agradecer por ter me acompanhando! _Ela falou feliz.
—Sempre que precisar é só me chamar! _Falei gentilmente.
Ele me abraçou, foi tão fofinho esse gesto.
Então sorri com sinceridade para lhe mostrei o quão feliz eu estava por ter sido sua companhia!
—Eu amo ver este sorriso. _Ele confessou antes de sair. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário