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segunda-feira, 1 de junho de 2015

2 ERICK: Embriagado só faz besteira.


Como pode alguém ser tão irritante! Até mesmo quando você faz um favor! A dona estresse está uma arara porque a vi sem blusa... Ela acha que com sua vida em risco eu notaria seus seios! É eu notaria! Mas mesmo assim é muita bobeira pra minha cabeça, tipo ela estava toda queimada então tirei pra passar água fria, faz parte dos primeiros socorros. Os paramédicos do local estavam ocupados com outras vitimas.
A Stella recebeu alta no sábado.  Levei-a em casa, após fui direto para o quartel. É claro, antes a provoquei dizendo besteira, é muito bom deixá-la irritadinha.
Confesso que quando a avistei no incêndio da universidade me desesperou. Quando se conhece a pessoa é ainda pior, por sorte ela só teve queimadura de primeiro gral, já o amigo não teve a mesma sorte, eu não dei à noticia a ela, mas ele teve grandes danos, as queimaduras foras três vezes piores que as dela mais de outra garota que estava por perto, não entendi o porquê, já que todos os três estavam no mesmo local.
No momento estou treinando os músculos, a academia do corpo de bombeiro é incrível. Há muitos equipamentos na qual a população não tem acesso, esse é a maior explicação para o meu belo porte, mas não chego a ser o melhor, o Otávio treina menos que eu e é o mais bombado do quartel. Isso da nos nervos! E o pior é que ele é o meu melhor amigo então tenho que suportas as provocações...
Enquanto me concentrava no levantamento de pesos o Otávio aparece com uma lata de cerveja na mão!
—Quer uma, meu chapa? –Ofereceu-me.
—Você sabe que é proibido! Se houver alguma emergência você não pode ir, pois está embriagado! –O lembrei.
—Como você é chato Erick! –Ele diz dando uns tapinhas fortes em minhas costas.
—Eu sei! E você é irresponsável! –Comento.
Já terminando minha seção da manhã retirei a roupa ficando apenas de cueca pra tomar uma ducha gelada, o sabão que estava no expositor era uma merda completa, pois tenho alergia. Fui enrolado no projeto de toalha que só tampa aquele lugar, praticamente, buscar o sabão.
           O receitado pelo dermatologista estava no meu armário pessoal, no caminho encontro com a Sargento Carla. Ela sempre supervisiona o quartel a procura de inflações.
—Como sai andando desse jeito? Será que vou ter que acrescentar mais um delito na sua ficha, Erick? –Ele ameaça.
—Desculpa, mas aqui em baixo só fica os homens, não tem problema e só vim buscar um sabonete antialérgico. _falo coçando a cabeça, se ela me der uma advertência vão descontar do meu salário outra vez e poço ser suspenso.
—Você é um bom bombeiro, só não é um exemplo! E o meu trabalho é deixar tudo impecável! O mês passado você desobedeceu à ordem do chefe Carlos e o teto de uma casa desabou na sua cabeça! Hoje você me aparece desapropriada! Se continuar assim vai ser suspenso! –Como o previsto anunciou toda convencida!
—Pelo amor de Deus, não faça isso! Eu preciso da grana, e não tenho nada além deste emprego! –imploro.
—Não erre mais! E...
—E o quê?
—Que tal pagar um café pra mim ás três da tarde na cafeteria da rua de baixo! -Ela fala piscando.
—Fechado, te encontro lá! –respondo.
Nossa eu não consigo acreditar que acabei de ser flertado. Essa vai ter que ser escrita se não ninguém vai acreditar que foi real.
Depois do ocorrido retomei o banho, demorei dez minutos na ducha.
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—Ô Erick, o que você fez pra Carla? –O Otávio pergunta assim que subo pra sala de centro onde descansamos a espera de alguma emergência.
—Nada por quê? –digo mentindo muito mal pela cara que os meninos fizeram.
—Sei! Ela desceu cuspindo fogo e voltou um mar de rosas! Sem mencionar que ela pediu sua liberação as três da tarde! – argumentou contra mim. É pra isso que serve um amigo! Na hora que mais precisa de apoio ele te ferra!
—Porque eu teria feito algo pra mudar o humor dela? –Falei bancando o inocente.
—Porque só você estava lá em baixo! Você á beijou? Ou melhor, fizeram sexo? -ele fala com a cara mais safada.
—Não, e antes que pense algo ainda mais obsceno, ela me subornou e eu amei! –falo sorrindo.
—Explica melhor!
Eu fiquei meia hora contando como foi. Eles ficaram com a maior cara de tacho, a sargento é muito rígida e nunca demonstrou sentimento antes.
—Eu desperto os sentimentos mais profundo nas mulheres! É por isso que ela está gamadinha em mim!
—Você sabe que depois da morte do marido ela se casou de novo? Se não sabe, agora está sabendo! Mexer com mulher casada é encrenca!  
—Que ódio! Eu me meti de novo em uma fria! –Falei com a mão na face de tamanho desespero.
—E dessa vez não vou te tirar dela! –O Otávio completa.
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O resto do tempo foi uma chatice, alguns jogavam truco enquanto outros conversavam com a namorada pelo telefone.
Pude observar que o meu amigo estava bebendo mais uma lata de cerveja, não achei um sinal bom, mas não o repreendi novamente, existe o livre arbítrio e cada um faz o que bem entender.
Ás três horas compareci ao local marcado, ela não usava o uniforme então pude notar que seu expediente havia acabado.
—Oi, desculpe o atraso! –falei sem graça.
—Tudo bem, eu já fiz meu pedido! -ela avisa-me com um sorriso, o que mostrou um pouco de rugas no canto dos olhos que é resultado da idade.
—Não quero ser desagradável, mas pelo que sei você é casada! Então você tem algo mais a pedir do que um simples encontro. Certo? –falo com seriedade.
 Eu sei que essa frase tem duplo ou triplos sentidos, mas é claro que se uma pessoa vai te subornar não é apenas pra tomar um café! Eu não sou idiota!
—Você é esperto! –Ela comenta olhando distante.
—O que é? _pergunto curioso.
Ela está pensando. Sinto meu estomago revirar. Acho que teria sido mais lucrativo o desconto no salário. Sabe quando você sente que se meteu na maior roubada? Então é o que estou sentindo.
O meu pedido mais o dela chegaram então bebemos alguns goles do cappuccino...
—Minha filha arrumou um namorado alcoólatra, e ela afirma que está apaixonada por ele e só vão se separar se ele quiser! –ela começa.
—Compreendo!
—Só que as pessoas que o conhece dizem que ele é muito violento, e como mãe não quero vê-la em roubada!
—Até ai certo, mas onde eu me encaixo nessa historia? –pergunto com receio da resposta.
—Quero que a faça enxergar quão errado está sendo o relacionamento com um alcoólatra, diga o índice de incidentes envolvendo a bebida!
—É impossível! Eu nem a conheço, e meu trabalho exige muito do meu tempo. –falo já me levantando da cadeira pra sair.
—Por favor, é minha ultima chance, ela vai começar a trabalhar no quartel como secretária do seu chefe, o Jorge. –Carla fala chorando.
Eu sei que vou me arrepender completamente desta escolha idiota, mas o lado bom do meu coração disse mais alto fazendo me aceitar.
Depois saímos do local, poderia dizer que me senti mais leve em ter feito o certo, mas nem sei se é certo aconselhar alguém á ficar longe da pessoa que ama.
Eu poderia dizer que era só isso que me atormentava no momento, mas então algo pior aconteceu, um carro vermelho em alta velocidade veio descontrolado pela pista.
Pessoas correram desesperadas para calçada mais próxima, não foi lindo o que aconteceu, e nem foi uma morte digna, gritos desesperados e cheios de terror dos que estavam perto encheu o ambiente. Os corações doeram ao ver a mãe que empurrava o carrinho do bebe ser lançada a quatro metros de distância, a pancada foi muito forte, logo podemos ver a poça de sangue no asfalto. Todos ficaram em estado de choque.
Eu corri até a mulher e pude notar que ela não estava mais entre nós.
 Carla retirou da coxa direita uma pistola 740 Slim e foi até o motorista do carro, não foi nem preciso fazer o teste do bafômetro pra saber que ele estava bêbado, no carro tinha uma caixa de cerveja e um litro de vinho vazio.
Ela continuou fazendo a abordagem. Do nada me dei conta de que sua fisionomia havia alterado, ela estava pálida!
Ela o trouxe até a mim, onde a mulher morta estava.
—Olha o que você fez! – gritou para ele!
O cara apenas arrotou com o maior bafo de álcool do mundo!
— E se minha filha estivesse com você seu ordinário!
Foi ai que eu me assustei, ele é o namorado da filha dela! Quer dizer “era”, imagino que nessa circunstancias não haverá mais um casal. O Cara é um assassino!
Foi só ai que notei a injustiça, o garoto não poderia ser preso, pois era menor de idade. Uma raiva incontrolável dominou meu corpo, não era justo ele pagar uma indenização e ficar só uma semana num presídio pra menores infratores.
Indignado com isso, parti pra cima dele e  soquei o rosto todo do desgraçado, depois o arremessei no chão e subi em cima pra continuar a surra, meus punhos não queriam parar e a raiva não cessava. Em minha veias pulsavam ódio em vez de sangue, eu vingaria a filha da Carla e todas as outras vítimas! O canalha já estava inchado.
—Chega Erick, antes que tenho que te levar pra delegacia também! –ela fala em um tom rígido e intimador.
Eu concordo com a cabeça...
—Pegue o telefone da vitima e entra em contato com a família. Cuide da criança enquanto alguém não chega. O SAMU já está a caminho do local.
Não prestei atenção em minhas ações, mas fiz tudo que ela me pediu, o marido da mulher falou que já estava vindo, ele me pareceu desnorteado pelas palavras que usou.
A criança de mais ou menos sete meses de vida chorava muito no carrinho de bebe, era uma menina fofinha de olhos pretinhos como a noite, ela era muito linda, a peguei no colo e esperei o pai chegar...
Assim que ele chegou a pegou e foi conversar com o pessoal do SAMU na qual o informaram que mulher havia falecido, já não me cabia no ambiente, o trânsito foi novamente liberado, então fui direto pra casa.

 Meu emocional não suportaria mais nada! Admira-me o fato da Carla ter mantido o profissionalismo!

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