Como pode alguém ser tão irritante! Até
mesmo quando você faz um favor! A dona estresse está uma arara porque a vi sem
blusa... Ela acha que com sua vida em risco eu notaria seus seios! É eu
notaria! Mas mesmo assim é muita bobeira pra minha cabeça, tipo ela estava toda
queimada então tirei pra passar água fria, faz parte dos primeiros socorros. Os
paramédicos do local estavam ocupados com outras vitimas.
A Stella recebeu alta no sábado. Levei-a em casa, após fui direto para o
quartel. É claro, antes a provoquei dizendo besteira, é muito bom deixá-la
irritadinha.
Confesso que quando a avistei no
incêndio da universidade me desesperou. Quando se conhece a pessoa é ainda
pior, por sorte ela só teve queimadura de primeiro gral, já o amigo não teve a
mesma sorte, eu não dei à noticia a ela, mas ele teve grandes danos, as
queimaduras foras três vezes piores que as dela mais de outra garota que estava
por perto, não entendi o porquê, já que todos os três estavam no mesmo local.
No momento estou treinando os músculos,
a academia do corpo de bombeiro é incrível. Há muitos equipamentos na qual a
população não tem acesso, esse é a maior explicação para o meu belo porte, mas
não chego a ser o melhor, o Otávio treina menos que eu e é o mais bombado do
quartel. Isso da nos nervos! E o pior é que ele é o meu melhor amigo então tenho
que suportas as provocações...
Enquanto me concentrava no levantamento
de pesos o Otávio aparece com uma lata de cerveja na mão!
—Quer uma, meu chapa? –Ofereceu-me.
—Você sabe que é proibido! Se houver
alguma emergência você não pode ir, pois está embriagado! –O lembrei.
—Como você é chato Erick! –Ele diz
dando uns tapinhas fortes em minhas costas.
—Eu sei! E você é irresponsável!
–Comento.
Já terminando minha seção da manhã
retirei a roupa ficando apenas de cueca pra tomar uma ducha gelada, o sabão que
estava no expositor era uma merda completa, pois tenho alergia. Fui enrolado no
projeto de toalha que só tampa aquele lugar, praticamente, buscar o sabão.
O receitado pelo
dermatologista estava no meu armário pessoal, no caminho encontro com a Sargento
Carla. Ela sempre supervisiona o quartel a procura de inflações.
—Como sai andando desse jeito? Será que
vou ter que acrescentar mais um delito na sua ficha, Erick? –Ele ameaça.
—Desculpa, mas aqui em baixo só fica os
homens, não tem problema e só vim buscar um sabonete antialérgico. _falo
coçando a cabeça, se ela me der uma advertência vão descontar do meu salário
outra vez e poço ser suspenso.
—Você é um bom bombeiro, só não é um
exemplo! E o meu trabalho é deixar tudo impecável! O mês passado você
desobedeceu à ordem do chefe Carlos e o teto de uma casa desabou na sua cabeça!
Hoje você me aparece desapropriada! Se continuar assim vai ser suspenso! –Como
o previsto anunciou toda convencida!
—Pelo amor de Deus, não faça isso! Eu
preciso da grana, e não tenho nada além deste emprego! –imploro.
—Não erre mais! E...
—E o quê?
—Que tal pagar um café pra mim ás três
da tarde na cafeteria da rua de baixo! -Ela fala piscando.
—Fechado, te encontro lá! –respondo.
Nossa eu não consigo acreditar que
acabei de ser flertado. Essa vai ter que ser escrita se não ninguém vai
acreditar que foi real.
Depois do ocorrido retomei o banho,
demorei dez minutos na ducha.
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—Ô Erick, o que você fez pra Carla? –O
Otávio pergunta assim que subo pra sala de centro onde descansamos a espera de
alguma emergência.
—Nada por quê? –digo mentindo muito mal
pela cara que os meninos fizeram.
—Sei! Ela desceu cuspindo fogo e voltou
um mar de rosas! Sem mencionar que ela pediu sua liberação as três da tarde! –
argumentou contra mim. É pra isso que serve um amigo! Na hora que mais precisa
de apoio ele te ferra!
—Porque eu teria feito algo pra mudar o
humor dela? –Falei bancando o inocente.
—Porque só você estava lá em baixo!
Você á beijou? Ou melhor, fizeram sexo? -ele fala com a cara mais safada.
—Não, e antes que pense algo ainda mais
obsceno, ela me subornou e eu amei! –falo sorrindo.
—Explica melhor!
Eu fiquei meia hora contando como foi.
Eles ficaram com a maior cara de tacho, a sargento é muito rígida e nunca
demonstrou sentimento antes.
—Eu desperto os sentimentos mais
profundo nas mulheres! É por isso que ela está gamadinha em mim!
—Você sabe que depois da morte do
marido ela se casou de novo? Se não sabe, agora está sabendo! Mexer com mulher
casada é encrenca!
—Que ódio! Eu me meti de novo em uma
fria! –Falei com a mão na face de tamanho desespero.
—E dessa vez não vou te tirar dela! –O
Otávio completa.
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O resto do tempo foi uma chatice,
alguns jogavam truco enquanto outros conversavam com a namorada pelo telefone.
Pude observar que o meu amigo estava
bebendo mais uma lata de cerveja, não achei um sinal bom, mas não o repreendi
novamente, existe o livre arbítrio e cada um faz o que bem entender.
Ás três horas compareci ao local
marcado, ela não usava o uniforme então pude notar que seu expediente havia
acabado.
—Oi, desculpe o atraso! –falei sem
graça.
—Tudo bem, eu já fiz meu pedido! -ela
avisa-me com um sorriso, o que mostrou um pouco de rugas no canto dos olhos que
é resultado da idade.
—Não quero ser desagradável, mas pelo
que sei você é casada! Então você tem algo mais a pedir do que um simples
encontro. Certo? –falo com seriedade.
Eu sei que essa frase tem duplo ou triplos
sentidos, mas é claro que se uma pessoa vai te subornar não é apenas pra tomar
um café! Eu não sou idiota!
—Você é esperto! –Ela comenta olhando
distante.
—O que é? _pergunto curioso.
Ela está pensando. Sinto meu estomago
revirar. Acho que teria sido mais lucrativo o desconto no salário. Sabe quando
você sente que se meteu na maior roubada? Então é o que estou sentindo.
O meu pedido mais o dela chegaram então
bebemos alguns goles do cappuccino...
—Minha filha arrumou um namorado
alcoólatra, e ela afirma que está apaixonada por ele e só vão se separar se ele
quiser! –ela começa.
—Compreendo!
—Só que as pessoas que o conhece dizem
que ele é muito violento, e como mãe não quero vê-la em roubada!
—Até ai certo, mas onde eu me encaixo
nessa historia? –pergunto com receio da resposta.
—Quero que a faça enxergar quão errado
está sendo o relacionamento com um alcoólatra, diga o índice de incidentes
envolvendo a bebida!
—É impossível! Eu nem a conheço, e meu
trabalho exige muito do meu tempo. –falo já me levantando da cadeira pra sair.
—Por favor, é minha ultima chance, ela
vai começar a trabalhar no quartel como secretária do seu chefe, o Jorge.
–Carla fala chorando.
Eu sei que vou me arrepender
completamente desta escolha idiota, mas o lado bom do meu coração disse mais
alto fazendo me aceitar.
Depois saímos do local, poderia dizer
que me senti mais leve em ter feito o certo, mas nem sei se é certo aconselhar
alguém á ficar longe da pessoa que ama.
Eu poderia dizer que era só isso que me
atormentava no momento, mas então algo pior aconteceu, um carro vermelho em
alta velocidade veio descontrolado pela pista.
Pessoas correram desesperadas para
calçada mais próxima, não foi lindo o que aconteceu, e nem foi uma morte digna,
gritos desesperados e cheios de terror dos que estavam perto encheu o ambiente.
Os corações doeram ao ver a mãe que empurrava o carrinho do bebe ser lançada a
quatro metros de distância, a pancada foi muito forte, logo podemos ver a poça
de sangue no asfalto. Todos ficaram em estado de choque.
Eu corri até a mulher e pude notar que
ela não estava mais entre nós.
Carla retirou da coxa direita uma pistola 740
Slim e foi até o motorista do carro, não foi nem preciso fazer o teste do
bafômetro pra saber que ele estava bêbado, no carro tinha uma caixa de cerveja
e um litro de vinho vazio.
Ela continuou fazendo a abordagem. Do
nada me dei conta de que sua fisionomia havia alterado, ela estava pálida!
Ela o trouxe até a mim, onde a mulher
morta estava.
—Olha o que você fez! – gritou para
ele!
O cara apenas arrotou com o maior bafo
de álcool do mundo!
— E se minha filha estivesse com você
seu ordinário!
Foi ai que eu me assustei, ele é o
namorado da filha dela! Quer dizer “era”, imagino que nessa circunstancias não haverá
mais um casal. O Cara é um assassino!
Foi só ai que notei a injustiça, o
garoto não poderia ser preso, pois era menor de idade. Uma raiva incontrolável
dominou meu corpo, não era justo ele pagar uma indenização e ficar só uma semana
num presídio pra menores infratores.
Indignado com isso, parti pra cima dele
e soquei o rosto todo do desgraçado,
depois o arremessei no chão e subi em cima pra continuar a surra, meus punhos
não queriam parar e a raiva não cessava. Em minha veias pulsavam ódio em vez de
sangue, eu vingaria a filha da Carla e todas as outras vítimas! O canalha já
estava inchado.
—Chega Erick, antes que tenho que te
levar pra delegacia também! –ela fala em um tom rígido e intimador.
Eu concordo com a cabeça...
—Pegue o telefone da vitima e entra em
contato com a família. Cuide da criança enquanto alguém não chega. O SAMU já
está a caminho do local.
Não prestei atenção em minhas ações,
mas fiz tudo que ela me pediu, o marido da mulher falou que já estava vindo,
ele me pareceu desnorteado pelas palavras que usou.
A criança de mais ou menos sete meses
de vida chorava muito no carrinho de bebe, era uma menina fofinha de olhos
pretinhos como a noite, ela era muito linda, a peguei no colo e esperei o pai
chegar...
Assim que ele chegou a pegou e foi
conversar com o pessoal do SAMU na qual o informaram que mulher havia falecido,
já não me cabia no ambiente, o trânsito foi novamente liberado, então fui
direto pra casa.
Meu emocional não suportaria mais nada! Admira-me
o fato da Carla ter mantido o profissionalismo!
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