A cena do incidente na qual a mãe foi
morta finalmente deixou de me atormentar, como todos os outros casos terríveis que
presencio as cenas simplesmente se tornaram comuns, esse seria mais uma
situação na qual vou levar para sempre gravada na memória!
Quanto os vizinhos continua a mesma
coisa divertida de sempre, o velhinho pedindo para que eu concerte a mobília antiga,
a Stella estressada como um leão que está pronto pra descontar na primeira
vitima que aparecer! E o resto apenas me ignorando! Esse prédio é fantástico!
—Gatinho, lamento te informar, mas se
não correr vai se atrasar! –Érica se despede com um abraço.
—Te amo Loira! –Fiz carinho em sua face
delicada. Depois me despedi da Elly. Esse foi o nome que escolhemos pra bebê
que vai nascer daqui seis meses!
Desci a escadaria apressado ao perceber que
estou quinze minutos atrasado, meu chefe dessa vez me despede! Eu sei que o
elevado é mais rápido, porém não estou a fim de ouvir a Stella com o mesmo papo
de ética e moral! Falando muito sério, estou praticamente desabafando aqui,
aquela mulher cansa qualquer um!
Chegando ao estacionamento observei que
minha camionete era o único veiculo que estava quase criando vida e correndo
sozinha para um lava-jato. Eu não tenho culpa se a preguiça me impede de
lavá-la.
A caminho do quartel o alarme de
incêndio toca. O som dá aquela descrença na minha pessoa. Liguei o transmissor
e localizei o local do incidente. Na tela pedia que todas as unidades fossem
para lá. Coloquei o mais rápido possível a sirene no teto. Essa é a melhor
parte, todos os veículos abrem passagem. Certa vez a liguei para chegar mais de
pressa no shopping, funcionou só que meu superior descobriu, resultado uma
multa de 700 reais. Só posso dizer que nunca mais fiz tal coisa.
O local do incêndio era ao lado do poço
fundo. Quem pensa que o nome é só porque tem muitas cisternas, está enganado.
Esta área era considerada rica em minério, sendo ai organizado varias
escavações, não sei se encontraram algo, mas os buracos estão ai. Se você cair
é morte instantânea!
—Erick, chegou bem na hora! –Otávio
falou me cumprimentando.
—Você trouxe mascara de oxigênio
sobrando? As minhas acabaram.
—Tem no porta-luvas do caminhão!
Depois de me vestir adequado me
apresentei na fila de minha unidade, o corpo de bombeiro de Brasília era um dos
mais numerosos. O meu capitão tem na faixa etária de 48 anos, não digo que é fácil
de suportar, mas não existe outro melhor que ele nas redondezas.
—Existem no mínimo 500 pessoas presas
nestes 15 galpões, o dever de vocês é as salvarem! –ele gritou com uma voz
firme para os seus liderados.
—Sim senhor! –bradamos em um coro.
Eu e Otávio corremos para o quinto
galpão. Conferimos se as mascaras funcionavam. As portas estavam emperradas.
Elas eram antigas e gigantescas. Para abrirmos utilizamos uma marreta, o que
não abre nós quebramos! O plano
funcionou. Logo ela desabou juntamente com os portais e o resto de madeira
podre.
A fumaça forte nos impedia de ver no quê
pisávamos. Andei apressado, a procura de algum corpo! Liguei a lanterna do capacete, possibilitando um
pequeno feixe de luz.
O fogo dava uma pequena trégua,
provavelmente as outras unidades desempenhavam o papel de apagá-lo.
_Erick, encontrei um pessoal aqui! –Meu
amigo avisou.
_Calma que já estou indo.
O teto começou a desabar. Eu deitei-me
em cima de um pessoal para impedir que caísse neles, pedaços de madeira.
Depois peguei quatro adolescentes e os
levei para fora. Chegando lá notei que Otávio tinha pegado seis! Mas pelo tanto
que tinha esparramado era menos da metade.
— Larga de moleza, Erick! Só conseguiu
salvar estes! Seu molenga! –Zoou de mim.
—Vai se ferra! Idiota!
Depois de pararmos a discussão pedimos reforço!
Enquanto isso, lá fora a equipe de paramédico davam seu melhor, havia vitimas
de queimaduras, outros com falta de ar, cortes e muito mais!
Dessa vez corri para o outro lado. Pude notar
alguém pedindo por socorro!
Era uma mulher com mais sete idosos.
—Vocês conseguem ir andando?
–perguntei.
Eles balançaram a cabeça em um sinal
positivo. Para evitar mais queimaduras entreguei uma capa a eles. A mulher não
teve resistência desmaiando. Eu a envolvi em meus braços. Outros idosos se
apoiaram em meus ombros. Já na saída ela retornou a consciência.
—Meu herói! – sussurrou em meus
ouvidos.
—Que isso! Esse é apenas o meu trabalho
senhorita! –Ela me ignorou, em seguida me deu um selinho e foi para a fila pra
ser socorrida.
Eu senti orgulho ao saber que todos
foram salvos, então ouvi novamente um pedido de socorro. Desta vez foi
diferente, não era alguém desconhecido. Sabendo eu que minha roupa não teria
resistência para enfrentar as chamas pela terceira vez corri em direção à voz.
Eu poderia morrer, mas meu amigo não ficaria ali...
—Otávio? Onde está você? –perguntei
desesperado.
—Olha para baixo seu babaca... –ouvi
Ele realmente estava do meu lado no
centro do galpão, uma coluna de ferro com concreto havia caído em cima de sua
barriga o impedindo de sair! Eu me ajoelhei para tentar a levantar!
—Você não pode fazer isso sozinho, é
muito pesado!
—Não há tempo! Logo vai desabar!
—Então se salva!
—Sem você nunca!
Eu insisto na tentativa de levantar
sozinho. Minha costa estava queimando, a roupa já derreteu.
—Otavio Da pra me ajudar a levantar!
—Lamento te informar, mas e impossível!
Senti algo escorrendo no meu corpo,
passei a mão na parte de trás.
—Erick o que é isso? _meu amigo fala ao
perceber o que havia saído algo em minha mão!
—É apenas sangue!
—Sai logo daqui enquanto a tempo!
—Nunca se abandona um amigo!
Então o galpão cinco desabou!
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40 minutos depois
—Você é um idiota Erick! –O Otávio me
falou.
—E você é um ingrato. –resmunguei.
—Calem garotos! Vocês dois nos passaram
um susto! –O chefe Jorge.
Ainda bem que a capa do Otávio ainda
esta com ele! –A medica que cuidava de nossas queimaduras falou.
Depois de todos os feridos e mortos
serem levados para o hospital nós nos assentamos em circulo para ouvirmos os
lideres de equipe, foi decidido que posaremos aqui para obtermos resistência,
mesmo cansados e feridos.
Havia uma ruiva em outra equipe muito
engraçada, ela fazia malabarismo com uma mão enquanto dançava samba. Alguns a
condenavam dizendo que era doida, mas eu a entendo é uma forma de se divertir
em meio a tanta destruição.
Então me levantei e ajuntei-me a ela
dançando Street dance, o pessoal começou a se unir a nós fazendo graça. Um dos
capitães, pois o carro dele mais perto e tocou um som bem divertido. E assim
nos divertimos até escurecer.
Nosssa ameiiii adoro essas história ����������❤
ResponderExcluirAiiiii que bom que gosta... Fiquei muito contente com seu comentário...
ExcluirUma amizade que nem o fogo separa!!!!
ResponderExcluirTudo que é forjado no fogo atravessa brasa sem nenhum estrago...
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